Menino de 10 anos cria “nariz” eletrônico com IA que ajuda polícia a encontrar drogas em aeroportos

Hsu Ting-wei, de Taiwan, desenvolveu um sistema que coleta o ar ao redor de malas e usa análise química e inteligência artificial para reconhecer substâncias.
Menino de 10 anos segura medalhas após ser premiado por criar um nariz eletrônico com IA.
Aos 10 anos, Hsu Ting-wei criou um nariz eletrônico com IA pensado para analisar o ar ao redor de bagagens e identificar compostos químicos sem precisar abrir as malas. (Foto: Taiwan Invention Association)

A solução para encontrar drogas em aeroporto com mais praticidade e rapidez foi criada por um estudante de apenas 10 anos. Hsu Ting-wei é de Taiwan, na China e desenvolveu um nariz eletrônico com IA que consegue analisar o ar ao redor de bagagens sem que seja necessário abrir as malas. Dessa forma, a tecnologia, aplicada ao lado dos equipamentos de raio X, saberá quando uma mala carrega entorpecentes ou substâncias não autorizadas.

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A invenção de Hsu combina coleta de ar em tempo real, análise química e inteligência artificial para reconhecer determinadas substâncias. Em vez de observar apenas a imagem do conteúdo da mala, o aparelho procura compostos presentes no ar ao redor dela.

O projeto recebeu uma medalha de ouro e o prêmio de melhor invenção da International Federation of Inventors’ Associations (IFIA) durante o Silicon Valley International Invention Festival, realizado em agosto na Califórnia, nos Estados Unidos.

Segundo o presidente do júri, Amin Ghafooripour, a idade do estudante não determinou o reconhecimento. Os avaliadores consideraram o valor prático da invenção ao conceder o prêmio.

Nariz eletrônico com IA acrescenta análise ao raio X

O sistema foi projetado para ficar próximo ou atrás da área de inspeção das bagagens. Enquanto o raio X produz imagens do que está dentro da mala, o aparelho recolhe uma amostra do ar e envia esse material para análise.

Uma das técnicas usadas é a cromatografia gasosa associada à espectrometria de massa, capaz de separar e identificar compostos químicos. A inteligência artificial entra depois no reconhecimento dos padrões obtidos nessa análise.

Na prática, são duas verificações diferentes: uma observa a bagagem por imagem e a outra procura sinais químicos. A proposta é fazer isso sem contato direto com o conteúdo da mala.

Projeto já aparece em pedido de patente

A tecnologia também aparece em um pedido de patente publicado nos Estados Unidos e atribuído a Hsu Ting-wei. O documento descreve um aparelho para coletar gases ao redor de objetos que passam por uma esteira de bagagens.

Nesse registro, uma das aplicações detalhadas é a procura por um composto associado ao odor de produtos suínos. O objetivo é ajudar a identificar itens que poderiam passar despercebidos em uma inspeção convencional.

O pedido de patente mostra que a ideia apresentada na feira possui uma estrutura técnica definida. Isso, porém, não significa que o sistema já esteja instalado ou operando regularmente em aeroportos.

Drogas estão entre os usos que inventor pretende alcançar

Hsu afirmou que espera usar a tecnologia para ajudar autoridades a impedir a entrada de produtos suínos que possam representar risco de disseminação da peste suína africana. Ele também citou a possibilidade de ajudar os Estados Unidos a interceptar drogas como o fentanil.

Essas aplicações precisam ser diferenciadas do funcionamento já descrito do aparelho. As fontes disponíveis registram a intenção do inventor, mas não apresentam testes em aeroportos comprovando a detecção de fentanil em bagagens reais.

Por enquanto, o nariz eletrônico com IA permanece como uma invenção premiada e objeto de pedido de patente. O próximo passo necessário para transformar a proposta em ferramenta de inspeção é demonstrar seu desempenho com diferentes substâncias e em condições reais de uso.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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