A solução para encontrar drogas em aeroporto com mais praticidade e rapidez foi criada por um estudante de apenas 10 anos. Hsu Ting-wei é de Taiwan, na China e desenvolveu um nariz eletrônico com IA que consegue analisar o ar ao redor de bagagens sem que seja necessário abrir as malas. Dessa forma, a tecnologia, aplicada ao lado dos equipamentos de raio X, saberá quando uma mala carrega entorpecentes ou substâncias não autorizadas.
A invenção de Hsu combina coleta de ar em tempo real, análise química e inteligência artificial para reconhecer determinadas substâncias. Em vez de observar apenas a imagem do conteúdo da mala, o aparelho procura compostos presentes no ar ao redor dela.
O projeto recebeu uma medalha de ouro e o prêmio de melhor invenção da International Federation of Inventors’ Associations (IFIA) durante o Silicon Valley International Invention Festival, realizado em agosto na Califórnia, nos Estados Unidos.
Segundo o presidente do júri, Amin Ghafooripour, a idade do estudante não determinou o reconhecimento. Os avaliadores consideraram o valor prático da invenção ao conceder o prêmio.
Nariz eletrônico com IA acrescenta análise ao raio X
O sistema foi projetado para ficar próximo ou atrás da área de inspeção das bagagens. Enquanto o raio X produz imagens do que está dentro da mala, o aparelho recolhe uma amostra do ar e envia esse material para análise.
Uma das técnicas usadas é a cromatografia gasosa associada à espectrometria de massa, capaz de separar e identificar compostos químicos. A inteligência artificial entra depois no reconhecimento dos padrões obtidos nessa análise.
Na prática, são duas verificações diferentes: uma observa a bagagem por imagem e a outra procura sinais químicos. A proposta é fazer isso sem contato direto com o conteúdo da mala.
Projeto já aparece em pedido de patente
A tecnologia também aparece em um pedido de patente publicado nos Estados Unidos e atribuído a Hsu Ting-wei. O documento descreve um aparelho para coletar gases ao redor de objetos que passam por uma esteira de bagagens.
Nesse registro, uma das aplicações detalhadas é a procura por um composto associado ao odor de produtos suínos. O objetivo é ajudar a identificar itens que poderiam passar despercebidos em uma inspeção convencional.
O pedido de patente mostra que a ideia apresentada na feira possui uma estrutura técnica definida. Isso, porém, não significa que o sistema já esteja instalado ou operando regularmente em aeroportos.
Drogas estão entre os usos que inventor pretende alcançar
Hsu afirmou que espera usar a tecnologia para ajudar autoridades a impedir a entrada de produtos suínos que possam representar risco de disseminação da peste suína africana. Ele também citou a possibilidade de ajudar os Estados Unidos a interceptar drogas como o fentanil.
Essas aplicações precisam ser diferenciadas do funcionamento já descrito do aparelho. As fontes disponíveis registram a intenção do inventor, mas não apresentam testes em aeroportos comprovando a detecção de fentanil em bagagens reais.
Por enquanto, o nariz eletrônico com IA permanece como uma invenção premiada e objeto de pedido de patente. O próximo passo necessário para transformar a proposta em ferramenta de inspeção é demonstrar seu desempenho com diferentes substâncias e em condições reais de uso.