Uma paciente com câncer de mama metastático permaneceu por mais de seis anos em um tratamento experimental que dispensa a quimioterapia tradicional. O caso faz parte de um estudo realizado nos Estados Unidos com uma combinação de quatro medicamentos.
O resultado apareceu no ensaio clínico ASPIRE, que avaliou 29 pacientes com um tipo específico da doença: câncer de mama metastático positivo para receptores hormonais (HR+) e HER2 positivo.
O tratamento reúne anastrozol, palbociclibe, trastuzumabe e pertuzumabe. Em vez da quimioterapia convencional, os medicamentos atuam por diferentes mecanismos para bloquear hormônios e sinais usados pelas células tumorais para crescer.
Entre as participantes, uma permaneceu usando a combinação por mais de seis anos. Os pesquisadores também registraram respostas prolongadas em outras pacientes, embora o estudo não permita concluir que todas terão o mesmo resultado.
Câncer de mama metastático ficou controlado por mais tempo em parte das pacientes
O ensaio foi conduzido em cinco centros ligados à Icahn School of Medicine at Mount Sinai, à NYU Langone Health e à Columbia University, nos Estados Unidos.
Nos primeiros seis meses, 97% das 29 pacientes avaliadas apresentaram benefício clínico, indicador que inclui redução ou estabilização da doença durante o período analisado.
A mediana de tempo até a progressão do câncer foi de 24,9 meses. Isso significa que metade das participantes permaneceu pelo menos esse período sem que a doença avançasse.
Depois de um acompanhamento mediano de cerca de 39 meses, quase 93% das participantes estavam vivas. A mediana de sobrevida geral ainda não havia sido alcançada quando os pesquisadores fizeram a análise.
Tratamento ainda precisa passar por estudos maiores
Apesar dos resultados, a combinação ainda não pode ser considerada substituta da quimioterapia para todas as pacientes com câncer de mama metastático.
O ASPIRE é um estudo de fases 1 e 2, realizado com um grupo pequeno e sem um braço de comparação direta com o tratamento padrão. Os próprios autores afirmam que os resultados precisam ser confirmados em pesquisas randomizadas maiores.
Também houve efeitos adversos. Os mais comuns foram redução de neutrófilos e de outros glóbulos brancos, diarreia e anemia. Eventos adversos de grau 3 ou 4 ocorreram em 62% das participantes, principalmente alterações hematológicas.
A pesquisa foi publicada em 30 de julho de 2026 no Journal of the National Cancer Institute. Por enquanto, o caso da paciente que permanece no esquema há mais de seis anos mostra a duração alcançada individualmente pelo tratamento, mas não permite prever se outras pacientes terão resposta semelhante.