Tecnologia criada pela USP recupera pigmentação da pele em 15 dias em teste contra vitiligo

Tecnologia contra vitiligo desenvolvida na USP promoveu repigmentação em camundongos após 15 dias; próximo passo pretendido é chegar aos testes em humanos.
Pessoa com vitiligo recebe aplicação de tratamento na pele durante atendimento clínico.
Tratamentos contra o vitiligo buscam recuperar a pigmentação da pele. Na USP, uma tecnologia experimental promoveu repigmentação em camundongos após 15 dias. (Foto: imagem gerada por IA)

Uma tecnologia contra vitiligo desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) em junho trouxe resultados promissores nos primeiros testes realizados em camundongos. Segundo os pesquisadores, após a aplicação do tratamento experimental a pigmentação da pele voltou em 15 dias.

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O trabalho faz parte do doutorado da farmacêutica Ana Vitória Pupo Silvestrini, na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP). Os pesquisadores induziram os animais a desenvolver a doença e aplicaram nanopartículas carregadas com um medicamento e moléculas de RNA silenciador.

Segundo os resultados divulgados pela universidade, o tratamento reduziu a resposta imunológica envolvida na destruição das células que produzem melanina e favoreceu a recuperação da pigmentação.

A tecnologia também é objeto de um pedido de patente depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O objetivo agora é continuar o desenvolvimento até que seja possível avaliar a estratégia em seres humanos.

Tecnologia contra vitiligo tenta agir em duas frentes

No vitiligo, o sistema imunológico destrói os melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina. Com a perda dessas células, manchas brancas podem aparecer em diferentes regiões da pele.

A estratégia da USP combina nanopartículas com RNAs capazes de reduzir a atividade de genes envolvidos nesse processo. As partículas transportam essas moléculas através da barreira da pele e protegem o RNA, que sozinho teria dificuldade para penetrar no tecido e se degradaria rapidamente.

O sistema também leva piperina, substância usada no trabalho para favorecer a pigmentação. Dessa forma, a pesquisa tenta atuar tanto sobre a resposta imunológica ligada à perda dos melanócitos quanto sobre a recuperação da cor da pele.

Pesquisadores ainda precisam confirmar o resultado em pessoas

Apesar da repigmentação observada, os pesquisadores destacam que o experimento continua em fase pré-clínica. O estudo ainda não divulgou as datas dos próximos testes, que podem passar para a pele humana.

O estudo aponta que abordagens envolvendo nanotecnologia, RNA e terapias direcionadas têm potencial para tratar mecanismos específicos do vitiligo, mas muitas ainda precisam de validação antes de chegar à rotina clínica.

Hoje, o tratamento do vitiligo varia conforme cada paciente e pode incluir medicamentos que estimulam a repigmentação, laser e outras abordagens. O Ministério da Saúde destaca que cada paciente pode responder de forma diferente ao tratamento e recomenda que um dermatologista defina a abordagem mais adequada.

No caso da tecnologia contra vitiligo da USP, o próximo desafio é justamente atravessar essa distância entre o resultado experimental e a aplicação clínica. A equipe pretende avançar para testes em humanos, mas não há, até agora, ensaio clínico iniciado nem prazo divulgado para essa etapa.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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