Uma vacina contra melanoma personalizada para cada paciente apresentou resultado positivo em um estudo de fase 3 e conseguiu prolongar o período sem que o câncer voltasse ou se espalhasse pelo corpo. O tratamento experimental foi desenvolvido pela Moderna em parceria com a MSD, conhecida como Merck nos Estados Unidos.
A terapia, chamada intismeran, é produzida a partir das mutações encontradas no tumor de cada pessoa. Depois da cirurgia para retirada do melanoma, ela é usada junto com o imunoterápico Keytruda para ajudar o sistema imunológico a reconhecer e atacar células cancerígenas que possam permanecer no organismo.
No novo estudo, com mais de 1.100 pacientes com melanoma de alto risco, a combinação apresentou resultado superior ao uso do Keytruda sozinho tanto no tempo sem o câncer voltar quanto no período sem metástases à distância. As empresas ainda não divulgaram os percentuais completos da fase 3.
A vacina ainda é experimental e não está disponível para uso rotineiro. Moderna e MSD devem apresentar os dados detalhados em um congresso médico internacional e discutir os próximos passos com autoridades regulatórias.
Vacina contra melanoma é criada a partir do tumor de cada pessoa
A intismeran usa a tecnologia de RNA mensageiro, a mesma plataforma que ganhou projeção com as vacinas contra a Covid-19, mas com uma lógica diferente. Nesse caso, uma amostra do tumor é analisada para identificar mutações específicas do câncer daquele paciente.
Com essas informações, os pesquisadores produzem uma terapia capaz de carregar instruções relacionadas a até 34 neoantígenos, sinais presentes nas células tumorais. O objetivo é ensinar o sistema imunológico a reconhecer essas características e aumentar a capacidade de localizar células do melanoma.
Por isso, não se trata de uma vacina preventiva aplicada à população saudável. É um tratamento individualizado destinado a pessoas que já tiveram melanoma e passaram por cirurgia, com foco em reduzir a chance de a doença reaparecer.
Estudos anteriores já apontavam menor risco de o câncer voltar
O resultado da fase 3 reforça uma tendência observada em um estudo menor e anterior. No acompanhamento de cinco anos da fase 2b, divulgado em junho, a combinação de intismeran e Keytruda reduziu em 49% o risco de recorrência ou morte em comparação com o Keytruda sozinho.
Nesse mesmo estudo anterior, houve redução de 59% no risco de metástase distante ou morte. Esses percentuais não são os números da nova fase 3: as farmacêuticas ainda não tornaram públicos os dados detalhados do estudo mais recente.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 9.360 novos casos de melanoma por ano entre 2026 e 2028. Para pacientes que já retiraram um melanoma de alto risco, o resultado traz a perspectiva de um tratamento adicional e personalizado para diminuir a chance de a doença retornar, caso a terapia seja aprovada pelos órgãos reguladores.