Cientistas da USP criam técnica para feridas difíceis de fechar e têm resultado em 72 horas

Técnica criada por cientistas da USP atuou em diferentes fatores que dificultam a cicatrização e quase fechou uma lesão simulada em 72 horas.
Pesquisadores da USP trabalham em técnica experimental para ajudar na cicatrização de feridas difíceis de fechar.
Cientistas da USP desenvolveram uma técnica que atuou em diferentes fatores ligados à cicatrização e conseguiu deixar uma ferida simulada praticamente fechada após 72 horas em testes de laboratório. (Foto: Shutterstock)

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma técnica para ajudar na cicatrização de feridas difíceis de fechar e conseguiram um resultado importante nos primeiros testes. Em laboratório, a combinação fez uma lesão simulada ficar praticamente fechada após 72 horas.

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A pesquisa mira as chamadas feridas crônicas, que podem permanecer abertas por meses ou até anos. É o caso de algumas úlceras relacionadas ao diabetes e de lesões que surgem em pessoas que passam longos períodos acamadas. Elas também aumentam o risco de infecção e outras complicações.

O diferencial da técnica está em enfrentar mais de um problema que dificulta a recuperação da pele. Em vez de atuar apenas sobre a inflamação, os pesquisadores reuniram componentes capazes de proteger as células e reduzir a ação excessiva de uma enzima que prejudica a reconstrução do tecido.

O resultado de 72 horas ainda não significa que uma pessoa com uma ferida crônica terá a lesão fechada em três dias. A pesquisa está em fase inicial e precisa passar por outras etapas antes que a tecnologia possa ser testada em pacientes.

Técnica atua em diferentes causas que dificultam a cicatrização

Quando uma ferida se torna crônica, vários mecanismos do organismo podem deixar de funcionar como deveriam. A inflamação persiste, há danos às células e algumas substâncias passam a destruir componentes que a pele precisa para se reconstruir.

Para agir sobre esses problemas ao mesmo tempo, a equipe da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP combinou duas estratégias. Uma delas usa o resveratrol, composto com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. A outra reduz a produção da MMP-9, uma enzima que, em excesso, degrada colágeno e outras estruturas importantes para a recuperação da pele.

Os pesquisadores colocaram os dois componentes em partículas muito pequenas e as incorporaram a um gel aplicado sobre a área estudada. Nos testes, a formulação reduziu sinais de inflamação e de dano celular e recuperou a movimentação dos fibroblastos, células que participam da formação de colágeno e do fechamento das feridas.

Pesquisa ainda precisa avançar antes de chegar aos pacientes

Até agora, a equipe realizou experimentos com culturas de células e pele suína. No modelo criado para observar a cicatrização em laboratório, a combinação completa levou ao fechamento quase total da lesão simulada em 72 horas.

O estudo científico também confirmou que a formulação conseguiu reduzir a atividade da MMP-9 e marcadores ligados à inflamação, além de melhorar a movimentação das células responsáveis pela reparação do tecido. Os resultados foram publicados na revista científica Colloids and Surfaces B: Biointerfaces.

Agora, os pesquisadores pretendem testar a técnica em modelos tridimensionais de pele e, posteriormente, em animais. Só depois de confirmar a segurança e a eficácia nessas etapas será possível avançar para estudos clínicos com pessoas. É esse caminho que determinará se o resultado obtido em laboratório poderá, no futuro, ajudar pacientes que convivem com feridas difíceis de fechar.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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