Neste 15 de agosto, o Dia do Solteiro encontra uma geração que começa a reorganizar a ordem das prioridades. Para muitos jovens, construir planos pessoais, buscar estabilidade e decidir o próprio ritmo de vida já não precisa esperar a chegada de um relacionamento.
Uma pesquisa recente ajuda a dimensionar essa mudança. O levantamento “Script do Amor”, do Instituto Z, ouviu 7.994 pessoas de 17 a 31 anos e encontrou maioria de solteiros em todas as faixas analisadas. Entre 26 e 31 anos, 77% estavam solteiros e 86% não tinham filhos.
O comportamento não significa que a Geração Z tenha desistido do amor. O próprio estudo mostra que casamento, família e relacionamentos continuam entre os desejos dos entrevistados. A diferença está no peso desses marcos dentro do conjunto de escolhas da vida adulta.
É justamente aí que o Dia do Solteiro ganha outro significado: mais do que celebrar a ausência de um parceiro, a data permite observar uma geração que não trata mais o relacionamento como requisito para começar outros projetos.
Geração Z solteira muda a ordem das prioridades
Na pesquisa do Instituto Z, 20% disseram que o casamento perdeu importância, enquanto 15% citaram a formação de família e 11% apontaram o relacionamento amoroso. Ter filhos perdeu importância para 25% dos participantes.
Isso não equivale a rejeitar esses planos. Entre os jovens que ainda não alcançaram determinados objetivos, 23% desejam construir uma família e 19% querem casar ou ter um relacionamento saudável. A diferença é que esses projetos passaram a conviver com outras prioridades individuais.
A antropóloga Paula Cisneiros, responsável pela área de pesquisa do Instituto Z, explica que os vínculos continuam valorizados, mas já não precisam seguir um único formato. Segundo o levantamento, relacionamentos deixam de ser objetivos perseguidos a qualquer custo e passam a dividir espaço com pausas, recomeços e escolhas individuais.
Estabilidade também entra nos planos
Essa mudança aparece além da vida amorosa. A pesquisa Gen Z & Millennial Survey 2026, da Deloitte, identificou que jovens buscam construir bases mais estáveis antes de assumir decisões importantes e tendem a organizar a vida de acordo com condições consideradas sustentáveis para cada momento.
No Brasil, 45% dos entrevistados da Geração Z disseram ter adiado decisões importantes por insegurança econômica. O levantamento brasileiro reuniu 501 participantes dessa geração.
No Dia do Solteiro, portanto, a mudança está menos em escolher entre amor e independência e mais em poder decidir a ordem dos próprios passos. Para a Geração Z solteira, namoro, casamento e família continuam possíveis — só não precisam mais determinar quando outros planos começam.