Pacientes com câncer começarão a ter acesso gradual, a partir de outubro, a 23 medicamentos contra o câncer de alto custo pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Dependendo da terapia, um tratamento pode chegar a R$ 630 mil na rede privada. Pelo SUS, quem tiver indicação poderá receber o medicamento sem pagar diretamente pelo tratamento.
A estimativa do Ministério da Saúde é beneficiar cerca de 112 mil pacientes. Os medicamentos atendem diferentes tipos de tumores, entre eles câncer de mama, pulmão, ovário e estômago, além de leucemias, linfomas e outras doenças oncológicas.
A oferta representa um aumento de 35% no número de medicamentos oncológicos disponíveis na rede pública. Alguns desses tratamentos já haviam sido incorporados ao SUS, mas ainda dependiam de etapas como definição de financiamento, compra, protocolos e distribuição para chegar aos serviços de saúde.
O governo federal reservou R$ 2,2 bilhões para um conjunto de ações na área oncológica. Ao longo de 2026, o Ministério da Saúde passou a definir como os novos tratamentos serão financiados, adquiridos e distribuídos.
Parte dos tratamentos esperou até 12 anos
A incorporação de um medicamento ao SUS não significa que ele fique imediatamente disponível nos hospitais. Depois da aprovação, o sistema ainda precisa definir como financiar, comprar e distribuir o tratamento, além de estabelecer protocolos para indicar quais pacientes poderão recebê-lo.
No conjunto anunciado pelo Ministério da Saúde, alguns medicamentos esperaram até 12 anos entre a incorporação ao sistema e a organização necessária para que pudessem chegar efetivamente aos pacientes.
O Ministério da Saúde comprará diretamente dez dos 23 medicamentos e os enviará aos estados. As unidades habilitadas para o tratamento do câncer poderão adquirir os demais com financiamento federal ou por mecanismos nacionais de negociação.
A disponibilização será gradual a partir de outubro. Por isso, a chegada de cada terapia aos serviços de saúde poderá variar conforme a organização da rede e as regras definidas para cada medicamento.
Tratamentos alcançam 25 tipos de tumores, segundo o INCA
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), os 23 medicamentos contemplam 25 tipos de tumores. A lista inclui terapias como abemaciclibe para câncer de mama, brigatinibe para câncer de pulmão, olaparibe para câncer de ovário e trastuzumabe para câncer de estômago.
O número de 25 tipos de tumores é o informado pelo INCA. Em uma divulgação anterior, feita em maio, o governo federal informou que o conjunto atenderia 18 tipos de câncer.
Em julho, o Ministério da Saúde também avançou na regulamentação da Assistência Farmacêutica em Oncologia. Uma das medidas definiu regras específicas para medicamentos considerados de altíssimo custo.
Acesso dependerá da indicação médica e das regras do SUS
A chegada dos medicamentos não significa que todos estarão disponíveis para qualquer paciente com câncer. Cada tratamento tem indicações próprias, que levam em conta fatores como o tipo de tumor, o estágio da doença e características clínicas de cada pessoa.
A decisão sobre o uso continuará sendo feita pelas equipes responsáveis pelo tratamento, seguindo os protocolos adotados pelo SUS.
Para os pacientes que preencherem os critérios, porém, a nova organização permitirá que terapias de alto custo passem a contar com financiamento público e cheguem gradualmente à rede.