Mãe reencontra filho 63 anos depois de ser obrigada a entregá-lo para adoção

Depois de ser obrigada a entregar o bebê aos 16 anos, Jan Doyle viveu um reencontro após adoção 63 anos mais tarde e recuperou o contato com o filho.
Jan Doyle, mãe que reencontrou o filho mais de 60 anos após uma adoção forçada no Reino Unido.
Jan Doyle reencontrou o filho 63 anos depois de ter sido obrigada a entregá-lo para adoção quando tinha 16 anos. (Foto: arquivo pessoal)

Uma espera que atravessou mais de seis décadas terminou com um encontro em um hotel no Reino Unido. Jan Doyle reencontrou o filho 63 anos depois de ter sido obrigada a entregá-lo para adoção quando ainda era adolescente.

Apoio

O reencontro após adoção aconteceu depois que o próprio filho decidiu procurá-la. Jan havia deixado seu nome registrado para um eventual contato e recebeu a informação de que ele queria encontrá-la. Dez dias depois do primeiro contato, os dois estavam frente a frente.

Jan tinha 16 anos quando engravidou, em 1963. Solteira em uma sociedade que tratava a gravidez fora do casamento como motivo de vergonha, ela foi enviada para uma instituição destinada a mães e bebês no condado de Kent.

Poucas semanas depois do parto, precisou entregar o filho. Ela ficaria mais de 60 anos sem vê-lo. Durante todo esse período, Jan pensava no filho especialmente a cada aniversário e se perguntava se ele estava vivo, se tinha recebido amor e que vida havia construído.

Reencontro após adoção trouxe respostas depois de seis décadas

Quando finalmente recebeu a notícia de que o filho a procurava, Jan custou a acreditar. O primeiro encontro ocorreu em um hotel próximo de sua casa, acompanhado pelo marido dela.

A longa ausência não impediu que os dois retomassem o contato. Segundo relatos publicados sobre o caso, mãe e filho passaram a se encontrar regularmente depois da reunião.

Jan contou ao O Globo que também descobriu que ele havia crescido em uma família adotiva que considera amorosa. Uma das imagens que ganhou novo significado depois do reencontro foi uma fotografia de seus três filhos juntos, algo que ela dizia jamais ter imaginado conseguir.

Reino Unido reconheceu responsabilidade por adoções forçadas

A história de Jan faz parte de um problema muito maior. O governo britânico reconheceu que instituições e agentes públicos coagiram, pressionaram ou induziram mulheres a entregar seus filhos para adoção, principalmente entre 1949 e 1976. A estimativa oficial aponta que essa prática pode ter afetado cerca de 185 mil mães e pessoas adotadas.

Além disso, o primeiro-ministro Keir Starmer pediu desculpas formalmente em nome do Estado. O governo admitiu que financiou e legitimou sistemas que não protegeram mães, crianças e famílias.

O pedido de desculpas veio acompanhado de £ 4 milhões para três anos de apoio. Entre as medidas estão facilitar o acesso a registros de adoção e financiar serviços que ajudam parentes biológicos a se localizar e restabelecer contato. Para famílias que ainda vivem uma separação semelhante, o reencontro após adoção de Jan deixou de ser apenas uma história excepcional: agora há também uma estrutura oficial criada para ajudar outras buscas a chegarem a uma resposta.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Boa Notícia Brasil no WhatsApp