Escola em tempo integral mantém jovens longe do crime, aponta estudo

Pesquisa em São Paulo encontra menos furtos e roubos, sobretudo no horário das aulas, e aponta a supervisão escolar como fator importante.
Estudantes em escola de tempo integral durante o período de aulas.
Escola em tempo integral esteve associada à redução de furtos e roubos, principalmente durante o horário em que os jovens permanecem em aula. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Um estudo divulgado agora em 2026 sobre a expansão da escola em tempo integral em São Paulo encontrou um efeito que vai além da sala de aula: nas regiões atendidas pelo programa, os crimes contra o patrimônio caíram e a redução foi ainda mais forte durante o período em que os estudantes estavam em atividade.

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Os pesquisadores analisaram a implantação do Programa Ensino Integral (PEI) entre 2012 e 2024. A adoção do modelo esteve associada a uma redução de 7% nos crimes contra o patrimônio nas áreas estudadas. O resultado foi puxado principalmente pelos roubos.

A diferença ficou mais evidente quando os autores separaram os crimes pelo horário. Durante o período escolar, os furtos caíram 25,8%. Nos roubos, a queda chegou a 12,1% nesse mesmo período, contra 8,8% fora do horário das aulas.

O efeito foi ainda maior nos registros envolvendo autores menores de idade. Segundo o estudo, houve 65% menos furtos e 23% menos roubos atribuídos a jovens após a adoção da jornada integral. Para os pesquisadores, a concentração desses resultados no horário das aulas indica que a supervisão escolar tem papel importante nessa redução.

Escola em tempo integral aumenta período de supervisão dos jovens

A pesquisa foi realizada por Augusto Alves, Bruno Pantaleão e Alei Santos e avaliou a expansão do programa estadual em diferentes momentos. Essa diferença entre as datas de adesão das escolas permitiu aos pesquisadores comparar o que aconteceu nas regiões antes e depois da implantação do modelo.

O ponto central não é apenas manter o aluno mais horas dentro da escola. Os resultados mostram que a queda dos crimes é maior justamente quando a supervisão escolar está acontecendo de forma direta.

Os próprios números ajudam a demonstrar essa diferença. Enquanto os furtos diminuíram 25,8% durante o horário escolar, o estudo identificou aumento de 4,2% fora dele. Essa mudança de comportamento ao longo do dia reforça a explicação apresentada pelos autores.

Resultado semelhante já apareceu fora do Brasil

O efeito da jornada escolar maior sobre a criminalidade também apareceu em uma pesquisa recente realizada no México. Estudo publicado em julho de 2026 na revista científica World Development encontrou redução de aproximadamente 11% nos roubos após a extensão do período de permanência dos alunos na escola.

No México, os resultados ficaram concentrados principalmente entre estudantes de 12 a 14 anos e em municípios de menor nível socioeconômico. Os pesquisadores também encontraram redução da evasão escolar.

Os estudos analisam países e programas diferentes e, por isso, um resultado não serve para comprovar o outro. Juntos, porém, oferecem evidências de que mais tempo sob supervisão escolar pode ter consequências que chegam à segurança pública.

Em São Paulo, o Programa Ensino Integral prevê jornadas maiores e uma organização específica para as escolas participantes. A nova pesquisa acrescenta um elemento a esse debate: além dos efeitos educacionais, a escola em tempo integral mostrou uma redução mensurável de crimes justamente no período em que os jovens permanecem sob acompanhamento da escola.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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