A escola pode ensinar matemática, português e ciências, mas também pode ajudar adolescentes a rever comportamentos que aprenderam a considerar normais. Em São Paulo, estudantes participam de uma formação voltada a reconhecer machismo, misoginia e atitudes de desrespeito contra meninas e mulheres ainda durante a educação básica.
O trabalho faz parte do programa Juventudes AntiMisoginia, criado pelo Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP). A iniciativa está presente nas 134 escolas da rede e envolve mais de 100 mil estudantes.
Dentro das unidades, jovens participam de debates, atividades educativas e comitês formados por alunos. A proposta é fazer com que eles consigam identificar situações de desigualdade e comportamentos machistas no cotidiano, inclusive aqueles que podem passar despercebidos por terem sido naturalizados.
É justamente aí que está um dos resultados mais concretos. Estudantes ouvidos sobre o projeto relatam que passaram a perceber como problemáticas atitudes que antes enxergavam como normais. A escola, nesse caso, funciona como espaço para questionar referências antes que elas acompanhem esses jovens para a vida adulta.
Jovens contra machismo participam da discussão dentro da escola
Os comitês do programa reúnem estudantes do 9º ano do ensino fundamental e do ensino médio. Cada turma indica representantes, com participação de meninas e meninos, acompanhados por um professor ou professora responsável.
Além dos integrantes dos comitês, as atividades chegam a outros alunos da escola. Professores recebem orientações para trabalhar temas ligados a respeito, igualdade de gênero e misoginia ao longo do ano letivo.
A participação dos próprios estudantes é um ponto importante da iniciativa. Em vez de tratar o assunto apenas por meio de palestras isoladas, o programa coloca adolescentes dentro das discussões e das ações realizadas no ambiente escolar.
Escola ajuda a reconhecer o que antes parecia normal
A necessidade desse tipo de formação ganhou espaço em outras escolas brasileiras. Projetos semelhantes surgiram após estudantes relatarem comentários machistas, assédio e comportamentos misóginos no cotidiano escolar e nas redes sociais.
No Sesi-SP, um estudante de 17 anos contou que passou a identificar machismo em situações que anteriormente não considerava problemáticas. O relato ajuda a mostrar como a discussão dentro da escola pode mudar a forma como os próprios jovens interpretam situações do dia a dia.
Criado em 2025, o Juventudes AntiMisoginia segue funcionando nas escolas da rede paulista. O efeito mais imediato não depende de esperar esses adolescentes se tornarem adultos: começa quando esses jovens lutam contra o machismo e passam a reconhecer, ainda na escola, comportamentos que não precisam continuar sendo tratados como normais.