Uma escola filantrópica em Fortaleza nasceu de uma tragédia familiar e hoje atende 220 crianças no bairro Serrinha. A instituição leva o nome de Andrea Pescia, italiano assassinado durante um assalto na capital cearense no início dos anos 2000.
Andrea havia decidido permanecer no Brasil depois de conhecer Fortaleza e passou a se envolver em ações voluntárias com crianças em situação de vulnerabilidade. Após a morte do único filho, os pais dele vieram da Itália para o Ceará e conheceram de perto o trabalho social que o jovem havia iniciado.
O pai, Bruno Pescia, decidiu continuar esse caminho. A família criou uma associação na Itália e passou a apoiar o Centro Comunitário Vila Garibaldi, onde a Escola Filantrópica Andrea Pescia começou a funcionar em 2009.
Mais de duas décadas depois da morte do jovem, o resultado aparece não apenas no número de crianças atendidas. Antigos alunos cresceram e voltaram à instituição como profissionais, ajudando a cuidar de uma nova geração.
Escola filantrópica em Fortaleza atende crianças desde os 2 anos
A escola recebe crianças de 2 a 5 anos. Quando completam seis anos e seguem para a rede pública, algumas continuam frequentando o projeto no contraturno.
Nesse período, elas podem participar de reforço escolar, futebol, balé e outras atividades. A instituição também fornece refeições: há lanche e almoço para quem fica pela manhã e lanche e jantar para o grupo da tarde.
O atendimento inclui ainda acompanhamento de crianças neurodivergentes. Segundo a direção, professoras da escola têm formação específica para trabalhar com esse público.
Alunos crescem e voltam para trabalhar na própria escola
Um dos efeitos mais concretos do projeto aparece entre os próprios funcionários. Pessoas que passaram pela escola quando eram crianças retornaram anos depois para trabalhar como professoras, cozinheiras e no almoxarifado.
A presença desses antigos alunos cria um ciclo pouco comum: quem um dia recebeu atendimento passa a participar do cuidado de outras crianças da mesma comunidade.
Atualmente, cerca de 220 crianças são alcançadas pelo trabalho da instituição. A escola recebe recursos da família Pescia, por meio da associação criada na Itália, além de subsídios da Prefeitura de Fortaleza e do apoio de moradores, que organizam campanhas, rifas e bingos.
Projeto começou com o desejo de manter vivo o trabalho de Andrea
A história da escola começou quando Bruno Pescia refez parte dos caminhos percorridos pelo filho em Fortaleza. Foi assim que ele conheceu o trabalho comunitário desenvolvido por Maria Auremir Medeiros Almeida, hoje diretora da instituição.
Com o apoio da família italiana, o projeto ganhou estrutura e passou a atender crianças regularmente. Registros da associação mostram que, em anos anteriores, a instituição chegou a organizar projetos multidisciplinares com atividades educacionais, esportivas e culturais.
Agora, a escola pretende continuar atendendo as famílias da Serrinha e sonha com um espaço maior. A direção afirma que gostaria de receber um terreno para construir uma nova sede e também oferecer Ensino Fundamental. Enquanto isso, o legado iniciado após a morte de Andrea segue aparecendo diariamente em quem entra pela primeira vez — e em quem cresceu ali e decidiu voltar.