Um pai de Unaí, em Minas Gerais, encontrou na impressão 3D uma forma de ajudar crianças com deficiência a ganhar mais mobilidade. Ed Lima produz cadeiras de rodas gratuitas e personalizadas, feitas especialmente para crianças pequenas que têm dificuldade para se locomover sozinhas.
A iniciativa já chegou a famílias de diferentes estados. Ed conversou com o Boa Notícia Brasil e explicou que já conseguiu produzir e entregar três cadeiras haviam sido entregues e 108 pedidos de crianças estavam cadastrados à espera do equipamento. A prioridade é para famílias em situação de vulnerabilidade social.
As cadeiras são coloridas e adaptadas para crianças de até cerca de 23 quilos. O modelo utilizado por Ed foi desenvolvido pela organização sem fins lucrativos MakeGood e pensado para crianças de 1 a 8 anos que ainda não conseguem engatinhar ou caminhar de forma independente.
O equipamento não substitui uma cadeira de rodas médica prescrita. Ed explica que utilizou um modelo de código aberto da instituição MakeGood, que define o modelo como um treinador de mobilidade para uso supervisionado, criado para permitir que a criança se movimente sentada e explore o ambiente com maior independência.
Cadeira de rodas 3D nasceu de uma busca por maneiras de ajudar
A história de Ed com a impressão 3D começou dentro de casa. Ele comprou a primeira máquina para produzir uma peça para o aniversário do filho. Depois, passou a pesquisar outras utilidades para a tecnologia.
O físico trabalha com radioterapia e convive profissionalmente com crianças em tratamento contra o câncer. Na família, dois primos têm paralisia cerebral. Essas experiências fizeram com que ele começasse a procurar aplicações da impressão 3D que pudessem ajudar pessoas com deficiência.
Hoje, além das cadeiras, Ed também produz brinquedos para crianças em quimioterapia, modelos anatômicos adaptados para pessoas cegas e talas ortopédicas. Os itens são entregues gratuitamente.
“Eu vejo essa necessidade das mães porque elas me falam diariamente. Eu ja vi na radioterapia crianças com 5 anos com câncer terminal, e as histórias que elas me contam, a gente para para pensar, o porquê elas estão passando por isso”, contou Ed ao BNB.
Modelo permite que crianças pequenas explorem o ambiente
A cadeira de rodas 3D usada no projeto brasileiro tem origem em um modelo aberto da MakeGood. A organização disponibiliza o projeto para que outras pessoas possam fabricar o equipamento e mantém uma rede própria de voluntários que entrega unidades gratuitamente a famílias.
O desenho foi desenvolvido para atender uma dificuldade específica: crianças pequenas com deficiência podem não ter força ou coordenação para engatinhar ou andar, embora já estejam em uma fase em que querem explorar o espaço ao redor. O assento baixo também ajuda a manter a criança mais próxima da altura de outras crianças durante as brincadeiras.
“Qualquer um pode fazer. Pegar uma impressora e imprimir. É um código aberto, mas precisa ter treinamento básico para isso. Tem que saber o que está fazendo, porque é uma vida que tu tá colocando alí em cima de uma cadeira. Então uma peça ou outra que tu colocar errado, já compromete a segurança da criança”, explica.
Em Unaí, Ed personaliza sozinho as cadeiras e envia os equipamentos para famílias atendidas pelo projeto. Ele conta que o trabalho é cansativo, mas o resultado vale a pena.
“Sou sozinho dentro do studio, eu quem imprimo, eu quem tiro os suportes, eu quem monto e no final fico feliz vendo a familia bem”, comentou Ed.
Como funciona a doação das cadeiras
As famílias interessadas em receber uma cadeira de rodas 3D precisam fazer um cadastro seguindo as orientações divulgadas pelo perfil @studio_azzu, ligado ao projeto de Ed Lima. A iniciativa prioriza crianças pequenas com deficiência e famílias em situação de vulnerabilidade.
Depois do cadastro, o caso entra na fila de atendimento. As cadeiras são produzidas de forma personalizada, levando em conta medidas e características da criança. O modelo utilizado pelo projeto é voltado principalmente para crianças de 1 a 8 anos, dentro dos limites de tamanho e peso previstos pelo equipamento.
“Eu entro em contato com a família e falo: ‘Vamos ajudar o seu filho com uma campanha de R$ 2 mil’. A gente coloca a história no Instagram e espera as pessoas doarem. Graças a Deus, não demora nem 24 horas para levantar essa grana”, conta.
A cadeira é entregue gratuitamente à família. Como o projeto recebe pedidos de diferentes regiões do país, o envio depende da organização de cada atendimento e da disponibilidade de produção. Segundo as informações divulgadas até agora, dezenas de crianças já estavam cadastradas à espera de uma unidade.
Para entrar na fila ou acompanhar novas orientações, as famílias devem procurar diretamente o perfil @studio_azzu, onde Ed concentra as informações sobre inscrições, critérios e andamento das doações.
“Não adianta ficar de mãos cruzadas. Tem que pegar a fazer alguma coisa. Não pode só ficar reclamando”.