Quase três décadas de trabalho transformaram a fazenda orgânica de Marcos Palmeira, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, em referência. Hoje, o local se destaca na produção de alimentos sem agrotóxicos, conquistou premiações e passou a integrar o turismo rural da região.
O resultado veio de um trabalho iniciado em 1997, quando o ator comprou a propriedade e encontrou uma área degradada, ainda baseada no cultivo convencional. Ao longo dos anos, ele mudou o modelo de produção, recuperou partes da terra e destinou áreas da fazenda à conservação ambiental.
Atualmente, a Vale das Palmeiras reúne produção de hortaliças, leite, queijos, iogurte, café, mel e outros alimentos orgânicos. Parte da propriedade também abriga as Reservas Particulares do Patrimônio Natural, destinadas à proteção permanente da biodiversidade.
Entre os resultados desse processo estão produtos reconhecidos em premiações e a abertura da fazenda para visitantes, que podem conhecer de perto a produção e as práticas adotadas no local.
Fazenda orgânica de Marcos Palmeira começou a mudar ainda nos anos 1990
Quando comprou a área, Marcos Palmeira não tinha como objetivo inicial transformar o espaço em uma referência em produção orgânica. O ator contou, ao longo dos anos, que pretendia trabalhar principalmente com leite e criação de cavalos.
A mudança começou quando ele passou a questionar o uso de produtos químicos nas plantações. Em entrevista ao ((o))eco, Palmeira relatou que os próprios trabalhadores evitavam consumir alguns alimentos produzidos na fazenda por causa dos agrotóxicos utilizados no cultivo.
A partir daí, a propriedade iniciou a transição para o sistema orgânico. O processo exigiu novas técnicas de manejo e adaptação da produção. Em 2018, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) registrou que o ator já trabalhava com agricultura orgânica havia cerca de 20 anos.
Produção orgânica em Teresópolis ganhou espaço e reconhecimento
Com o novo modelo, a Vale das Palmeiras passou a produzir diferentes tipos de alimentos sem agrotóxicos. A lista inclui hortaliças, leite, derivados, café e mel, além de produtos que chegaram a receber reconhecimento em concursos.
Um dos destaques foi o queijo minas frescal orgânico produzido na propriedade, que recebeu medalha de ouro em 2022 em uma premiação do Guia do Queijo. O reconhecimento ajuda a mostrar o resultado do trabalho desenvolvido na fazenda, mas não é recente.
A produção acontece em uma propriedade de cerca de 200 hectares, segundo informações publicadas em 2026. Além das áreas destinadas à atividade rural, a fazenda também adota práticas de agrofloresta, que combinam produção e preservação da vegetação.
Conservação também virou parte da propriedade
A recuperação ambiental passou a ocupar espaço importante no projeto da fazenda. Atualmente, a Vale das Palmeiras mantém duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural, conhecidas como RPPNs.
Esse tipo de área é criado dentro de propriedades privadas e permanece destinado à conservação da natureza. Na prática, significa que os trechos protegidos não podem ser transformados futuramente em áreas de produção ou construção incompatíveis com a preservação.
A mudança também trouxe reflexos para a fauna local. Marcos Palmeira já relatou que encontrou pouca presença de aves quando chegou à propriedade e que os animais começaram a voltar à medida que a vegetação se recuperava.
Fazenda também passou a receber visitantes em Teresópolis
Mais recentemente, a Vale das Palmeiras entrou no circuito de turismo rural de Teresópolis. A propriedade passou a receber visitantes interessados em conhecer a produção orgânica e parte das práticas adotadas no local.
As visitas incluem contato com áreas produtivas e com os alimentos feitos na própria fazenda. Assim, um trabalho que começou com a mudança no modelo agrícola passou também a movimentar outra atividade ligada à economia local.
Quase três décadas depois do início da transformação, a fazenda orgânica de Marcos Palmeira reúne produção de alimentos, áreas protegidas e turismo rural no mesmo espaço. O que começou como a recuperação de uma propriedade degradada hoje se mantém como atividade produtiva e de conservação em Teresópolis.