Desmatamento no Brasil cai pelo terceiro ano consecutivo e atinge a menor área desde 2019

Brasil reduz desmatamento pelo terceiro ano e registra a menor área desde o início da série do MapBiomas, com queda em todos os biomas.
Área de floresta preservada ao lado de trecho desmatado no Brasil.
Área de vegetação preservada contrasta com trecho desmatado; Brasil registrou três anos seguidos de redução na área de vegetação nativa perdida. (FOto: imagem gerada por IA)

O desmatamento no Brasil completou três anos seguidos de queda em 2025 e atingiu o menor nível da série histórica do MapBiomas Alerta, iniciada em 2019. No ano passado, o país perdeu 984.794 hectares de vegetação nativa, uma redução de 20,6% em relação a 2024.

Apoio

A trajetória começou a mudar em 2023, quando a área desmatada caiu 11,6%. Em 2024, houve nova redução, desta vez de 32,4%, seguida pelo recuo registrado em 2025. Os números mostram que a diminuição deixou de ser um movimento isolado de apenas um ano.

Os sinais mais recentes disponíveis para 2026 também apontam redução na Amazônia. Entre agosto de 2025 e junho deste ano, os alertas de desmatamento do DETER somaram 2.485,90 km², contra 3.959,98 km² no mesmo período anterior, queda de 37,2%.

Os dois levantamentos, porém, têm funções diferentes. O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, do MapBiomas, valida e consolida áreas efetivamente desmatadas, enquanto o DETER, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), emite alertas para orientar ações de fiscalização. Por isso, os números não devem ser comparados diretamente.

Três anos de queda mudam trajetória do desmatamento no Brasil

Em 2022, o país havia registrado pouco mais de 2 milhões de hectares desmatados. No ano seguinte, a área caiu para 1,83 milhão de hectares, iniciando uma sequência de reduções anuais.

Em 2024, o total recuou novamente, para cerca de 1,24 milhão de hectares. A queda de 32,4% marcou o segundo ano consecutivo de redução.

Já em 2025, a área desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares pela primeira vez desde o início da série do MapBiomas Alerta. Todos os biomas brasileiros registraram redução em relação ao ano anterior.

O Pantanal apresentou a maior queda proporcional, de 48,4%. Na Amazônia, a área desmatada diminuiu 23,5%, enquanto o Cerrado registrou redução de 16,9%.

Desmatamento também recua em áreas protegidas

A redução chegou às áreas destinadas à conservação. Nas Unidades de Conservação, foram desmatados 46.257 hectares em 2025, queda de 21,4% em comparação com o ano anterior.

Nas unidades classificadas como de Proteção Integral, a redução foi ainda maior: 55,8%. Ao todo, essas áreas perderam 2.034 hectares de vegetação nativa durante o ano.

As Terras Indígenas também registraram diminuição. A área perdida chegou a 12.593 hectares em 2025, queda de 22% em relação a 2024.

Ainda assim, 30% das Terras Indígenas do país tiveram pelo menos um evento de desmatamento detectado naquele ano. O dado mostra que a redução nacional não elimina a necessidade de fiscalização contínua nesses territórios.

Dados de 2026 mantêm sinal de redução na Amazônia

O monitoramento mais recente disponível indica que parte da trajetória de redução continuou na Amazônia em 2026.

De agosto de 2025 a junho de 2026, os alertas de desmatamento emitidos pelo DETER somaram 2.485,90 km². No período equivalente do calendário anterior, haviam sido registrados 3.959,98 km². A diferença representa uma queda de 37,2%.

Somente em junho, os avisos de desmatamento na Amazônia caíram 35%, passando de 457,61 km² em junho de 2025 para 297,26 km² no mesmo mês de 2026.

O Cerrado também apresentou redução no acumulado de agosto de 2025 a junho de 2026. Os alertas passaram de 5.091 km² para 4.689,40 km², queda de 7,9%.

O INPE ressalta que o DETER não produz a taxa definitiva de desmatamento. O sistema identifica áreas sob pressão e gera avisos usados pelos órgãos ambientais para direcionar operações de fiscalização. Por isso, os resultados servem como indicador de tendência.

Queda precisa continuar para se tornar tendência duradoura

Os três anos consecutivos de redução representam uma mudança relevante na trajetória recente do desmatamento brasileiro. O país saiu de mais de 2 milhões de hectares perdidos em 2022 para menos de 1 milhão em 2025.

A distância até eliminar a perda de vegetação nativa, porém, continua grande. Mesmo no menor nível já registrado pelo MapBiomas Alerta, quase 985 mil hectares foram desmatados em apenas um ano.

Os próximos levantamentos anuais permitirão saber se essa redução conseguirá se manter. Até lá, os alertas do DETER ajudam a acompanhar o comportamento mais recente da Amazônia e do Cerrado, enquanto os dados consolidados mostram onde a pressão ainda está concentrada.

Manter a queda e levá-la aos territórios mais afetados será o passo necessário para transformar três anos consecutivos de redução em uma mudança ambiental de longo prazo.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Boa Notícia Brasil no WhatsApp