Cientistas criam uma “medula óssea em chip” para estudar células de defesa humanas

Modelo criado por cientistas reproduz ambientes da medula humana e permite observar células ligadas à produção prolongada de anticorpos após infecções.
Medula óssea em chip usada por pesquisadores para estudar células produtoras de anticorpos.
Cientistas criaram uma medula óssea em chip para observar como células produtoras de anticorpos migram e sobrevivem em ambientes semelhantes aos encontrados no corpo humano. (Foto: NIH/Divulgação)

Cientistas criaram uma medula óssea em chip que permite acompanhar um processo praticamente escondido dentro do corpo humano: o caminho percorrido por células que produzem anticorpos até encontrarem locais onde conseguem sobreviver por mais tempo.

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O modelo reproduz partes do ambiente da medula óssea e mostrou como essas células migram pelos vasos, se agrupam em determinadas regiões e entram em contato com condições importantes para sua permanência. A descoberta ajuda a investigar por que alguns anticorpos continuam sendo produzidos muito depois de uma infecção ou vacinação.

Essas células são conhecidas como plasmócitos. Algumas vivem pouco, enquanto outras podem permanecer no organismo por períodos prolongados e continuar liberando anticorpos. A medula óssea é um dos principais locais onde ficam as células de longa duração.

Até agora, porém, observar esse comportamento diretamente em uma pessoa era muito difícil. Segundo os pesquisadores, conseguir imagens de alta resolução de plasmócitos dentro da medula humana viva é praticamente inviável, o que tornou modelos de animais uma das principais alternativas de estudo.

Medula óssea em chip reproduz diferentes ambientes

O novo sistema combina um organoide que imita tecido linfático com uma estrutura microfluídica que reproduz partes da medula. No laboratório, os pesquisadores estimularam células B humanas com vírus influenza inativado para que se transformassem em células produtoras de anticorpos.

Depois, essas células foram colocadas no chip. A estrutura possui pequenos canais semelhantes a vasos sanguíneos e material em gel com nutrientes e fatores necessários para manter as células em funcionamento.

O modelo também recria duas regiões diferentes da medula. Os experimentos mostraram que as células produtoras de anticorpos atravessaram vasos e se concentraram principalmente perto deles, onde encontraram fatores ligados à sobrevivência. A presença de outra região do chip também interferiu na movimentação, retenção e permanência dessas células.

Tecnologia pode ajudar a estudar duração da imunidade

É justamente essa interação entre as células e seus diferentes “abrigos” dentro da medula que interessa aos cientistas. Plasmócitos de longa duração ajudam a manter a produção de anticorpos após infecções e vacinas, mas ainda existem dúvidas sobre o que determina quanto tempo eles conseguem sobreviver.

Com a medula óssea em chip, pesquisadores conseguem observar esse processo de forma controlada e testar como alterações no ambiente afetam a localização e a sobrevivência das células.

A plataforma também poderá receber células de grupos específicos, como idosos ou pessoas com doenças alérgicas e autoimunes. Isso poderá ajudar a estudar diferenças na formação e manutenção dos plasmócitos, mas essas aplicações ainda pertencem à pesquisa experimental. O próximo passo é justamente responder questões que o próprio estudo deixou em aberto, entre elas por que parte dessas células apresenta um padrão de deslocamento de “anda e para” dentro da medula.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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