Após anos escondendo diabetes, José Loreto exibe sensor de glicose na novela para incentivar tratamento

José Loreto decidiu não esconder mais o dispositivo usado no controle do diabetes tipo 1 e quer ajudar a tornar esse cuidado mais natural também diante das câmeras.
José Loreto com sensor de glicose visível no braço durante cena de Quem Ama Cuida.
José Loreto decidiu deixar o sensor de glicose visível em Quem Ama Cuida após anos tentando esconder o diabetes. O ator foi diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 14 anos. (Foto: reprodução/ Instagram e Gshow)

Durante anos, José Loreto procurou esconder o diabetes e até os dispositivos usados para controlar a doença. Agora, aos 42 anos, o ator tomou uma decisão diferente: deixou o sensor de glicose visível enquanto interpreta Iuri na novela Quem Ama Cuida, da TV Globo. O motivo? Ajudar na conscientização e tratamento da doença.

Apoio

Diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 14 anos, Loreto contou que chegou a colocar o sensor em partes menos aparentes do corpo. Na adolescência, também fazia os testes no dedo discretamente. Mais de duas décadas depois, ele diz que prefere tratar o cuidado como uma parte comum de sua rotina.

A mudança chegou às telas depois de uma conversa com a diretora Amora Mautner. Segundo o ator, a proposta era simples: não transformar o sensor em assunto da cena, mas permitir que ele estivesse ali naturalmente, assim como acontece fora da ficção. A equipe da novela aceitou.

Loreto também disse que pretende incentivar colegas com diabetes a fazer o mesmo em outras produções. A ideia é que, quando o contexto da história permitir, atores não precisem esconder dispositivos que fazem parte de seus cuidados de saúde.

José Loreto deixa sensor de glicose fazer parte da cena

A decisão ganha peso justamente pelo histórico do ator. Quando recebeu o diagnóstico, ainda adolescente, Loreto contou que escondia a doença e fazia o controle da glicemia sem chamar atenção. Hoje, ele afirma lidar de forma mais tranquila com os cuidados necessários.

O dispositivo visto no braço não é parte da caracterização de Iuri. O sensor pertence ao próprio José Loreto e acompanha as variações da glicose ao longo do dia a partir do líquido intersticial, que fica entre as células do organismo.

Na prática, isso permite obter muito mais informações do que uma medição isolada. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), alguns sensores registram dados em intervalos de 1 a 5 minutos, de acordo com o modelo.

Sensor ajuda no controle, mas não elimina todos os testes

A SBD recomenda o monitoramento contínuo para pessoas com diabetes tipo 1, preferencialmente por sistemas que forneçam informações em tempo real. Os dados ajudam pacientes e equipes de saúde a identificar tendências e ajustar o tratamento.

Isso não significa que as tradicionais picadas no dedo desapareceram completamente. A diretriz explica que a medição capilar ainda pode ser necessária quando há dúvida sobre o resultado do sensor, sintomas incompatíveis com a leitura ou suspeita de hipoglicemia.

Também existe uma barreira de acesso. Segundo a própria SBD, na maioria das cidades brasileiras, o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda oferece principalmente a automonitorização por glicemia capilar para pessoas que usam insulina.

Ao deixar o aparelho aparecer sem transformar a doença no centro da personagem, José Loreto usa o sensor de glicose para fazer justamente o que disse desejar: tornar visível um cuidado que durante anos preferiu esconder. Para quem vive com diabetes, a cena não muda o tratamento, mas coloca uma rotina real de saúde diante de milhões de espectadores.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Boa Notícia Brasil no WhatsApp