Remédio para pressão pode ajudar a tratar problema na coluna que hoje pode exigir cirurgia

Pesquisadores identificaram células ligadas à estenose lombar e bloquearam, em animais, o crescimento de tecido que estreita o canal da coluna.
Ilustração mostra pessoa com dor lombar e detalhe da coluna com compressão de nervos causada pela estenose lombar.
Pesquisa identifica células ligadas à estenose lombar e aponta mecanismo também atingido por remédios usados contra pressão alta. Texto alternativo: Ilustração mostra pessoa com dor lombar e detalhe da coluna com compressão de ne (Foto: imagem gerada por IA)

Um estudo publicado nesta segunda-feira (07/09) na revista Cell encontrou uma possível nova forma de tratar um problema na coluna que pode causar dor, dificuldade para andar e até levar à cirurgia. Os pesquisadores identificaram células ligadas à estenose lombar e um mecanismo que também é alvo de remédios já usados contra pressão alta.

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Pesquisadores da Weill Cornell Medicine e do Hospital for Special Surgery descobriram que essas células aparecem em maior quantidade nos ligamentos de pessoas com estenose lombar. Nos experimentos, elas também apresentaram atividade maior na sinalização de cálcio.

Quando os cientistas reduziram essa sinalização em camundongos, conseguiram bloquear o crescimento excessivo do tecido associado ao estreitamento do canal vertebral. O mecanismo também é atingido por uma classe de medicamentos conhecida como bloqueadores dos canais de cálcio, usada no tratamento da hipertensão.

Isso não significa, porém, que remédios para pressão já possam ser usados contra a doença. Os autores afirmam que serão necessários estudos clínicos para descobrir se esses medicamentos funcionam com segurança e eficácia em pessoas com estenose lombar.

Estenose lombar pode comprimir os nervos da coluna

A estenose lombar acontece quando o canal localizado na parte inferior da coluna fica mais estreito. Esse espaço abriga estruturas nervosas e, quando há compressão, o paciente pode apresentar dor nas costas e nas pernas, dormência, fraqueza e dificuldade para caminhar.

Para entender o papel das novas células, os pesquisadores compararam amostras retiradas de pessoas com estenose com tecidos de pacientes que tinham hérnia de disco, mas não apresentavam sinais da doença.

Os ligamentos de pacientes com estenose tinham mais células-tronco desse tipo. Quando as células foram transplantadas para camundongos, também produziram mais células de tendões do que aquelas retiradas de tecidos considerados saudáveis.

A equipe então identificou maior sinalização de cálcio nessas células. Ao estimular o mecanismo artificialmente, conseguiu provocar crescimento do tecido. Quando reduziu essa atividade, bloqueou o crescimento excessivo no modelo animal.

Remédio para pressão entra como possível caminho de pesquisa

A relação com os medicamentos surgiu porque bloqueadores dos canais de cálcio já atuam justamente sobre a sinalização encontrada pelos pesquisadores. Esses remédios são usados contra pressão alta, mas a pesquisa não demonstrou que eles tratem estenose lombar em pessoas.

Hoje, a primeira linha de tratamento da doença costuma incluir mudança de atividades, medicamentos para controlar a dor e fisioterapia. Uma revisão publicada na JAMA estima que a estenose lombar afete aproximadamente 103 milhões de pessoas no mundo.

Quando a dor e a limitação continuam apesar dessas medidas, alguns pacientes podem ser candidatos à cirurgia para aliviar a compressão. Nos Estados Unidos, aproximadamente 600 mil procedimentos cirúrgicos por ano são realizados em pessoas com a condição, segundo a mesma revisão.

A nova pesquisa tenta chegar justamente a uma etapa anterior desse processo. Se estudos clínicos confirmarem os resultados observados nos animais, os cientistas poderão avaliar se bloquear a sinalização de cálcio ajuda a controlar o crescimento dos ligamentos associado à estenose lombar antes que alguns pacientes precisem de cirurgia. Por enquanto, essa possibilidade permanece experimental.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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