Anvisa atende pedido de Lito Sousa e autoriza medicamento experimental após recusas

Após encontrar barreiras em pesquisas nos EUA, influenciador consegue autorização excepcional para importar medicamento ainda em fase inicial de desenvolvimento.
Lito Sousa, influenciador diagnosticado com doença de Creutzfeldt-Jakob.
Lito Sousa recebeu autorização da Anvisa para importar o medicamento experimental ALN-6457 por uso compassivo. (Foto: reprodução / redes sociais)

O influenciador Lito Sousa conseguiu um novo caminho na busca por um tratamento experimental para a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). Agora, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a importação e o uso do medicamento ALN-6457 para o influenciador. A liberação foi publicada nesta sexta-feira (04/09).

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A decisão vem depois de semanas de mobilização da família e de tentativas de acesso a outras pesquisas nos Estados Unidos. Em agosto, Lito encontrou barreiras nos estudos ION717 e PRiSM, duas possibilidades que haviam sido buscadas diante da rápida progressão da doença.

Agora, a situação é diferente. O Hospital Israelita Albert Einstein solicitou à Anvisa uma autorização excepcional depois que Lito foi aceito em um programa de uso compassivo no exterior para receber o ALN-6457.

A liberação permite que a equipe importe o medicamento para o Brasil e o administre em Lito Sousa. Isso, porém, não significa que a Anvisa tenha aprovado a substância como tratamento para a DCJ nem que estudos tenham comprovado sua eficácia.

Tratamento experimental de Lito Sousa segue outro caminho

Uma das primeiras alternativas procuradas pela família foi o ION717, desenvolvido pela Ionis Pharmaceuticals. O estudo, no entanto, já havia encerrado a entrada de novos participantes, e a empresa informou que a substância também não estava disponível por acesso expandido.

A outra possibilidade envolvia o PRiSM, pesquisa conduzida pelo Broad Institute, ligado à Universidade Harvard e ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Naquele momento, Lito não tinha garantia de receber o medicamento experimental dentro do estudo.

O novo caminho não depende de uma vaga nesses estudos. O uso compassivo permite o acesso individual a um medicamento ainda em desenvolvimento em determinadas situações graves, mesmo fora de um ensaio clínico.

ALN-6457 ainda está em estágio inicial

A Anvisa concedeu a autorização de forma excepcional. Segundo informações divulgadas sobre a decisão, a agência considerou a evolução rápida e irreversível da doença de Creutzfeldt-Jakob e a situação específica do paciente.

O ALN-6457 ainda está nos primeiros estágios de desenvolvimento. Até agora, não há estudos clínicos formalmente iniciados para avaliar seus efeitos em pessoas com doenças priônicas, grupo ao qual pertence a DCJ.

Por isso, a autorização representa uma possibilidade de acesso, e não uma confirmação de resultado. Medicamentos disponibilizados por uso compassivo continuam sendo experimentais e carregam incertezas sobre segurança e eficácia.

Para Lito e a família, a mudança concreta está no próximo passo. Depois das barreiras encontradas nas primeiras tentativas, a autorização da Anvisa permite que a equipe responsável providencie a importação do ALN-6457 para uso individual. O efeito que o medicamento poderá ter no caso do influenciador ainda é desconhecido.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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