Nova regra pode ajudar a reduzir casos de infarto subdiagnosticados em mulheres

Nova definição internacional passa a considerar diferenças na troponina entre homens e mulheres para reduzir vieses na identificação de lesões cardíacas.
Ilustração de coração humano ao lado de tubo de exame de troponina, com referência a limites diferentes para mulheres e homens.
Nova definição internacional recomenda limites de troponina específicos por sexo para reduzir vieses no diagnóstico de infarto (Foto: imagem gerada por IA)

Uma mudança internacional nos critérios usados para diagnosticar infarto em mulheres tenta corrigir um problema que pode fazer alterações cardíacas passarem despercebidas. A nova definição mundial recomenda que o exame de troponina considere valores de referência diferentes para homens e mulheres.

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A troponina é uma proteína liberada no sangue quando há lesão nas células do coração. O exame é uma das principais ferramentas usadas diante da suspeita de infarto, mas os níveis considerados normais não são necessariamente iguais entre os sexos.

Na prática, mulheres costumam apresentar concentrações de troponina mais baixas. Por isso, aplicar um único limite para todos os pacientes pode criar um viés e contribuir para que algumas lesões cardíacas não sejam reconhecidas nelas, segundo o novo consenso.

A orientação faz parte da Quinta Definição Universal do Infarto do Miocárdio, elaborada por entidades como a Sociedade Europeia de Cardiologia, o American College of Cardiology, a American Heart Association e a World Heart Federation. O documento foi divulgado no último sábado (29/08).

Por que a troponina muda no diagnóstico de infarto em mulheres

A nova definição estabelece que a lesão aguda do músculo cardíaco deve ser identificada observando a variação da troponina e usando como referência o limite correspondente ao sexo do paciente. O próprio documento diz que isso é necessário para evitar viés sistemático contra pacientes mulheres.

Essa diferença não surgiu agora. Estudos com exames de alta sensibilidade já mostraram que o limite superior considerado normal pode ser menor entre mulheres do que entre homens, dependendo do teste utilizado.

Em um estudo prospectivo publicado pelo The BMJ, por exemplo, pesquisadores acompanharam 1.126 pessoas com suspeita de síndrome coronariana aguda. Ao usar um teste mais sensível e limites específicos para cada sexo, a proporção de mulheres classificadas com infarto naquele grupo passou de 11% para 22%.

O resultado, porém, não significa que qualquer redução no limite do exame represente automaticamente um diagnóstico correto. Uma revisão publicada em 2026 destaca que ainda existem questões sobre o impacto dos valores específicos por sexo nos resultados clínicos dos pacientes.

Exame alterado sozinho não significa infarto

A própria atualização reforça outro cuidado importante: troponina alta não confirma um infarto sozinha. Ela demonstra que houve alguma lesão nas células cardíacas, mas diferentes problemas podem provocar essa alteração.

O diagnóstico precisa considerar também o quadro clínico, sintomas, eletrocardiograma e, em determinadas situações, exames de imagem. Condições como infecções graves, doenças renais e acidente vascular cerebral também podem elevar a troponina sem que a pessoa esteja tendo um infarto.

A mudança, portanto, não cria um diagnóstico diferente para homens e mulheres. Ela torna mais específica uma das referências usadas durante a investigação. Para o infarto em mulheres, a expectativa do novo consenso é reduzir um viés conhecido sem retirar do médico a necessidade de avaliar o conjunto de evidências antes de confirmar o diagnóstico.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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