O Japão iniciou a venda de um novo medicamento contra câncer de esôfago desenvolvido para um grupo com menos alternativas de tratamento: pacientes que não podem passar por cirurgia curativa nem por quimiorradioterapia. O Telomelysin começou a ser comercializado na última sexta-feira (21/08).
O tratamento usa um adenovírus modificado em laboratório, que os médicos aplicam diretamente no tumor por meio de uma endoscopia. A proposta é fazer o vírus se multiplicar preferencialmente nas células cancerígenas e provocar a destruição delas.
O Telomelysin não é usado sozinho. A indicação aprovada no Japão prevê a aplicação do medicamento em associação à radioterapia e permanece restrita aos pacientes que atendem aos critérios definidos pelas autoridades de saúde.
O Japão aprovou o medicamento em 8 de junho de 2026. Com o início das vendas em agosto, as instituições médicas preparadas para realizar o tratamento passam a oferecer o Telomelysin aos pacientes elegíveis. Os desenvolvedores ainda não anunciaram uma data para a distribuição em escala global.
Estudo em 17 hospitais sustentou aprovação do Telomelysin
A aprovação ocorreu depois de um estudo de fase 2 realizado em 17 centros médicos do Japão. Entre os 36 pacientes incluídos na análise de eficácia, 15 apresentaram resposta completa local em até 24 semanas, o equivalente a 41,7%. Durante os 18 meses de acompanhamento, 18 pacientes, ou 50% do grupo avaliado, apresentaram esse resultado.
A resposta completa local significa que os médicos deixaram de identificar o tumor tratado nas avaliações usadas pelo estudo. Isso não significa que metade dos pacientes tenha se curado do câncer, porque o indicador considera a resposta no local tratado, e não a eliminação definitiva da doença em todo o organismo.
Pesquisas menores vieram antes desse estudo, incluindo uma fase 1 com 13 pacientes, publicada em 2021. Entre as reações relacionadas ao Telomelysin observadas com maior frequência na pesquisa posterior estavam febre, em 51,4% dos pacientes, e redução do número de linfócitos, em 37,8%.
Medicamento leva vírus modificado diretamente ao tumor
Os pesquisadores criaram o Telomelysin, conhecido durante o desenvolvimento como OBP-301, a partir de um adenovírus tipo 5 geneticamente modificado. O médico injeta o medicamento diretamente no tumor com auxílio de um endoscópio, em vez de administrá-lo por comprimido ou infusão.
A modificação permite que o vírus se multiplique preferencialmente nas células tumorais. Ao se reproduzir dentro delas, ele provoca sua destruição. No esquema aprovado, o paciente recebe normalmente três aplicações, feitas durante o período de radioterapia e separadas por aproximadamente duas semanas.
A administração exige uma estrutura preparada para realizar o procedimento endoscópico e acompanhar o paciente. Por enquanto, o Telomelysin tem autorização comercial no Japão, enquanto o OBP-301 continua sendo estudado em outras combinações e indicações.