Depois de 41 anos longe da escola, pedreiro volta a estudar aos 63 e conclui ensino médio

Silvestre Brizola retomou os estudos aos 63 anos, conciliou trabalho e EJA por seis meses e recebeu o diploma ao lado de outros 21 trabalhadores.
Silvestre Ramon Brizola, pedreiro de 63 anos que voltou a estudar e concluiu o ensino médio.
Aos 63 anos, Silvestre Ramon Brizola concluiu o ensino médio depois de passar 41 anos longe da escola. (Foto: Sesi/MT)

Depois de 41 anos longe da escola, o pedreiro Silvestre Ramon Brizola voltou a estudar e concluiu o ensino médio em Mato Grosso (MT), aos 63 anos. Venezuelano, ele veio para o Brasil em busca de novas oportunidades e terminou a formação após seis meses conciliando a rotina na construção civil com as aulas da Educação de Jovens e Adultos (EJA)

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A formatura aconteceu na última quarta-feira (19/08) e marcou o fim de uma interrupção que durou mais de quatro décadas. Silvestre recebeu o diploma ao lado de outros 21 trabalhadores que também concluíram etapas da educação básica.

O grupo fazia parte de uma turma organizada pelo Serviço Social da Indústria de Mato Grosso (Sesi-MT) em parceria com a construtora São Benedito. Para facilitar a permanência dos funcionários nos estudos, parte das atividades era feita pela internet e os encontros presenciais aconteciam uma vez por semana dentro da própria empresa.

Pedreiro volta a estudar sem deixar o emprego

Silvestre trabalha desde os 16 anos e vive no Brasil há oito. Atualmente empregado na construção civil, ele precisou encaixar as atividades escolares em uma rotina já ocupada pelo expediente no canteiro de obras.

Durante seis meses, os estudos foram divididos entre atividades online e encontros presenciais semanais. O formato permitiu que ele avançasse no conteúdo sem precisar interromper a jornada profissional.

Ao concluir o ensino médio, Silvestre passou a integrar o grupo de trabalhadores que retomaram a educação básica depois de adultos. Segundo o Sesi-MT, a turma reunia 22 funcionários da construtora.

Turma reuniu trabalhadores que haviam deixado a escola

A classe não era formada apenas por estudantes próximos da idade de Silvestre. Entre os participantes estava também Luisa Rosa de Oliveira, de 59 anos, que havia deixado a escola ainda na infância.

Ela passou anos adiando o retorno enquanto trabalhava e cuidava da família. Com a turma criada dentro da empresa, conseguiu retomar a formação e avançar nos estudos ao lado dos colegas.

A experiência mostra uma característica importante da EJA para trabalhadores adultos: adaptar horários e formatos pode reduzir a dificuldade de conciliar emprego e sala de aula. No caso da turma de Silvestre, os encontros presenciais dentro da própria empresa evitaram um deslocamento adicional durante a semana.

Diploma encerra intervalo de mais de quatro décadas

Para Silvestre, a conclusão do ensino médio encerrou um intervalo de 41 anos sem estudar. A conquista aconteceu já aos 63, depois de meses divididos entre trabalho, atividades online e aulas presenciais.

Com o diploma, ele passa a ter o ensino médio completo, escolaridade exigida em diferentes cursos de qualificação e processos profissionais. A conclusão, no entanto, não significa que Silvestre já tenha definido os próximos passos.

O resultado concreto, por enquanto, é outro: depois de mais de quatro décadas fora da escola, o pedreiro conseguiu voltar a estudar sem deixar o trabalho e concluiu uma etapa que havia ficado interrompida desde a juventude.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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