Quem nunca ouviu falar das travessuras do Saci, das noites de lua cheia do lobisomem ou entrou no banheiro da escola lembrando da famosa Loira do Banheiro? Neste 22 de agosto, Dia do Folclore, essas histórias ajudam a lembrar como personagens imaginários atravessam gerações e continuam presentes na cultura popular brasileira.
A data é comemorada oficialmente no Brasil desde 1965 e valoriza um universo muito maior do que as lendas. Festas, músicas, danças, crenças, brincadeiras e costumes transmitidos entre gerações também integram o folclore brasileiro.
As histórias, porém, talvez sejam uma das formas mais fáceis de perceber essa transmissão. Uma criança pode conhecer hoje um personagem que já fazia parte das conversas dos avós — muitas vezes com detalhes diferentes, porque as narrativas populares mudam conforme a região e a época em que são contadas.
E é justamente essa capacidade de ganhar novas versões que mantém tantas delas vivas.
Dia do Folclore reúne personagens de origens diferentes
Um dos maiores símbolos desse imaginário é o Saci-Pererê, tradicionalmente descrito como um menino negro de uma perna só e gorro vermelho, conhecido pelas travessuras. Ao longo do tempo, o personagem reuniu elementos de diferentes tradições culturais e se consolidou como uma das figuras mais reconhecidas do folclore nacional.
Já o lobisomem mostra como histórias vindas de outros lugares também ganharam características brasileiras. A narrativa tem raízes europeias e chegou ao país com os portugueses, mas passou a receber versões próprias em diferentes regiões do Brasil.
A Loira do Banheiro pertence a um universo mais recente: o das lendas urbanas. A história se espalhou principalmente entre estudantes e ganhou inúmeras versões nos colégios brasileiros. Uma das origens mais conhecidas associa a personagem a Maria Augusta de Oliveira Borges, jovem de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, que morreu em 1891. O casarão de sua família posteriormente se tornou uma escola, e relatos populares ajudaram a alimentar a lenda.
Folclore também está nas festas, músicas e brincadeiras
Saci, lobisomem e Loira do Banheiro são apenas uma pequena parte dessa memória coletiva. Curupira, Iara, Boto-cor-de-rosa, Boitatá e Mula sem Cabeça estão entre outras figuras bastante conhecidas no país.
Mas o folclore também aparece no frevo, maracatu, carimbó, cordel, bumba meu boi, samba, capoeira, congadas e quadrilhas juninas. O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, ligado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mantém inclusive cerca de 20 mil objetos, além de documentos bibliográficos e audiovisuais dedicados à cultura popular brasileira.
Nas escolas, essas tradições também podem ajudar crianças e jovens a reconhecer a cultura do próprio território. Educadores defendem que lendas, cantigas e brincadeiras não precisam aparecer apenas em agosto, mas podem integrar o aprendizado durante todo o ano.
No Dia do Folclore, relembrar personagens que assustaram, divertiram ou despertaram a curiosidade de diferentes gerações é também uma forma de manter essas histórias circulando — e descobrir quais versões continuam sendo contadas em cada canto do Brasil.