Após casos de racismo na Copa, Fifa exige que Argentina realize ações contra discriminação

Após episódios discriminatórios na Copa de 2026, a Fifa determinou que a AFA invista parte da multa em um plano de prevenção sujeito à aprovação da entidade.
Estádio de futebol relacionado à punição aplicada pela Fifa à Argentina.
Após casos de racismo na Copa, a Fifa determinou que a Argentina adote medidas concretas contra a discriminação e destine parte da punição a um plano específico. (Foto: imagem gerada por IA)

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) determinou que a Argentina adote ações concretas contra a discriminação após punir a Associação do Futebol Argentino (AFA) por episódios registrados durante a Copa do Mundo de 2026. Entre as medidas, a federação terá de investir parte da multa recebida em um plano específico para evitar novos casos.

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A decisão está relacionada a cânticos e manifestações racistas, homofóbicas e discriminatórias de torcedores argentinos. Segundo a AFA, os episódios ocorreram nos jogos contra Cabo Verde, Egito, Suíça, Inglaterra e Espanha. A Fifa enquadrou a conduta no artigo 15 de seu Código Disciplinar, que trata de discriminação e abuso racista.

A punição específica por esses episódios inclui multa de US$ 100 mil e restrição de 50% da capacidade das arquibancadas no próximo jogo oficial da seleção masculina como mandante. Outra multa de mesmo valor e uma segunda restrição de público ficaram suspensas, condicionadas à ausência de nova infração.

Mais do que pagar a multa, porém, a AFA terá seis meses para usar os US$ 100 mil na implementação ou no desenvolvimento de um plano integral contra a discriminação. O projeto precisará receber a aprovação da Fifa.

Argentina contra discriminação terá plano avaliado pela Fifa

O plano deverá prever ações para combater comportamentos discriminatórios e impedir a repetição dos episódios. A determinação transforma o valor da multa em investimento obrigatório na prevenção de novas ocorrências.

A Fifa também abriu uma alternativa para parte da punição nas arquibancadas. Com autorização da entidade, a AFA poderá destinar 25% da capacidade total do estádio a grupos comunitários, famílias, estudantes e organizações antidiscriminação, ocupando metade dos assentos que originalmente ficariam fechados.

Nesse caso, a federação argentina precisará apresentar um plano para o setor reservado. Entre as possibilidades citadas na decisão estão camisetas e faixas com mensagens de combate à discriminação.

AFA já promovia campanhas antes da punição

A obrigação imposta pela Fifa chega depois de a própria AFA desenvolver iniciativas sobre o tema. Em junho de 2025, por exemplo, a entidade realizou uma ação durante as Eliminatórias com cartões vermelhos simbólicos e uma atividade de perguntas e respostas para conscientizar torcedores sobre discriminação.

Em setembro de 2025, quase 7 mil crianças e representantes de organizações que atuam contra a discriminação ocuparam uma das arquibancadas do Monumental durante Argentina x Venezuela. Os participantes exibiram mensagens contra cânticos ofensivos.

Agora, essas ações deixam de depender apenas de iniciativas da federação. A Argentina terá um plano obrigatório contra discriminação, financiado pela própria sanção e sujeito à aprovação da Fifa. A AFA informou que pedirá os fundamentos das decisões passíveis de revisão para apresentar recursos e poderá recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS).

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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