Robô brasileiro é desenvolvido para entrar primeiro em áreas de risco e proteger policiais

Arcanjo, da IPQ Tecnologia, é um robô para operações de risco pensado para entrar antes dos agentes e transmitir informações à retaguarda.
Robô humanoide Arcanjo faz demonstração durante evento de segurança em São Paulo.
Robô humanoide Arcanjo, apresentado pela IPQ Tecnologia, durante demonstração na COP International 2026, em São Paulo. O equipamento está em testes para aplicações em áreas de risco. (Foto: Ricardo K./Divulgação IPQ)

O Arcanjo, apresentado pela IPQ Tecnologia, é um robô para operações de risco desenvolvido para entrar em ambientes perigosos antes das equipes humanas e transmitir informações à retaguarda. A proposta é reduzir a exposição de policiais, principalmente em locais fechados onde exista suspeita da presença de pessoas armadas.

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O humanoide apareceu na COP International 2026, realizada de 11 a 13 de agosto, no São Paulo Expo. Durante o evento, fez demonstrações de interação e movimentos de luta, mas o uso projetado vai além da exibição: reconhecimento facial, monitoramento de perímetros, rondas noturnas e vigilância em unidades prisionais estão entre as aplicações estudadas.

Ainda assim, o Arcanjo não está em operação regular. A própria empresa informa que o equipamento continua como plataforma de testes e passa por aperfeiçoamentos em inteligência artificial, sensores, automação e reconhecimento de imagens antes de uma eventual expansão comercial.

A lógica é colocar sensores e câmeras na frente antes de expor uma pessoa. Em um corredor, beco ou área considerada perigosa, o equipamento poderia observar o ambiente e enviar dados aos profissionais que permanecem em posição protegida. A decisão estratégica continuaria sob responsabilidade dos agentes.

Robô para operações de risco pode enviar informações à retaguarda

Heitor Galvão, CEO de Operações da IPQ Tecnologia, explicou ao O Povo que uma das aplicações previstas é justamente realizar incursões antes das equipes humanas. Câmeras e sistemas de visão computacional podem identificar possíveis armas e transmitir imagens aos policiais.

Uma demonstração posterior trouxe outro exemplo. Na Corrida das Forças, realizada em Salvador em 16 de agosto, Galvão afirmou que o Arcanjo havia sido integrado a um sistema de monitoramento da Secretaria da Segurança para reconhecer pessoas, fazer leitura de placas e encaminhar informações à central.

O projeto combina hardware produzido pela fabricante chinesa EngineAI com sistemas de inteligência desenvolvidos e adaptados pela IPQ Tecnologia às aplicações brasileiras. Segundo Galvão, o projeto está em desenvolvimento há cerca de um ano e conta atualmente com uma unidade utilizada nos testes.

Humanoide ainda precisa avançar antes do uso policial

As demonstrações não significam que o Arcanjo já tenha sido incorporado de forma permanente por alguma força policial. As fontes consultadas descrevem o humanoide como uma tecnologia ainda em desenvolvimento, portanto não há base para afirmar que ele já faça patrulhamento ou participe regularmente de operações.

A empresa também estuda aplicações em áreas industriais, incluindo monitoramento de ambientes e identificação de vazamentos de gás. Nesses casos, permanece o princípio de enviar sensores a locais que podem representar perigo antes de expor uma pessoa.

Para o robô para operações de risco chegar efetivamente à rotina policial, ainda serão necessários aperfeiçoamentos e decisões de adoção pelos órgãos responsáveis. Por enquanto, seu uso mais concreto é como plataforma de testes para avaliar se uma máquina consegue fornecer informações antes de uma entrada humana em locais perigosos.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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