Um adolescente de 13 anos passou cerca de 300 horas das férias imprimindo, montando e ajustando uma cadeira de mobilidade em 3D para uma bebê de 21 meses. O projeto foi concluído em Utah, nos Estados Unidos, e nasceu da vontade de usar uma habilidade que ele já estava aprendendo para ajudar alguém.
O adolescente é Zac Waters. Interessado em impressão 3D, ele procurava uma forma de transformar o conhecimento adquirido com a tecnologia em algo que tivesse uma aplicação prática.
Foi assim que Zac chegou à MakeGood, organização sem fins lucrativos que desenvolve dispositivos assistivos personalizados e disponibiliza projetos que podem ser reproduzidos com impressoras 3D.
Depois de concluir a cadeira, Zac afirmou que pretende continuar aperfeiçoando suas habilidades e participar de outros projetos semelhantes. Ainda não há uma nova cadeira confirmada, mas a primeira experiência já indicou como ele quer usar o que aprende daqui para frente.
Menino cria cadeira 3D adaptada para bebê de 21 meses
Por meio da MakeGood, Zac foi conectado à família da criança. A proposta era produzir um equipamento de mobilidade adaptado às necessidades da menina usando peças feitas em impressora 3D e componentes que pudessem ser ajustados.
O trabalho envolveu diferentes etapas. Zac precisou imprimir as peças, montar a estrutura, testar o equipamento e fazer ajustes antes da entrega.
Ao todo, o processo consumiu cerca de 300 horas das férias do adolescente. O tempo dedicado ao projeto chama atenção porque a fabricação não se resume a imprimir as peças: elas precisam ser montadas e ajustadas para que o equipamento possa ser usado pela criança.
A experiência também aproximou Zac de uma área em que a impressão 3D pode ter uma função concreta: produzir dispositivos personalizados para pessoas com necessidades específicas.
Cadeira 3D mostra diferença de custo da tecnologia assistiva
O projeto feito por Zac também chama atenção para uma barreira enfrentada por muitas famílias: o custo de equipamentos assistivos.
Segundo a MakeGood, tecnologias assistivas comerciais podem custar entre US$ 1 mil e US$ 10 mil, dependendo do equipamento. A organização afirma que muitos dos dispositivos produzidos com impressão 3D em seus projetos ficam abaixo de US$ 200.
No caso do Toddler Mobility Trainer, modelo infantil desenvolvido pela entidade, o custo estimado de fabricação é de cerca de US$ 150. A comparação não significa que todos esses equipamentos tenham as mesmas funções ou indicações médicas, mas ajuda a mostrar por que a impressão 3D passou a ser explorada como alternativa para determinadas necessidades.
O modelo é voltado a crianças pequenas e pode ser produzido com impressoras 3D de uso comum. A proposta é permitir adaptações de acordo com cada usuário, algo especialmente importante na infância, quando tamanho, apoio e posicionamento podem mudar com o crescimento.
Projeto aberto permite que outras pessoas fabriquem equipamentos
A cadeira feita por Zac não faz parte de uma iniciativa limitada a um único voluntário. A MakeGood disponibiliza gratuitamente arquivos e orientações para que pessoas com acesso a impressoras 3D possam reproduzir alguns de seus dispositivos.
Esse formato permite que os projetos sejam usados por voluntários, famílias, escolas, hospitais e comunidades interessadas em produzir equipamentos assistivos. As peças podem ser impressas localmente e depois montadas e adaptadas conforme a necessidade de cada usuário.
Segundo a organização, mais de 3 mil dispositivos assistivos já foram entregues desde 2021. O número mostra que a proposta vai além de fabricar uma cadeira específica: a ideia é criar modelos que possam ser reproduzidos em outros lugares.
É nesse sistema que o trabalho de Zac ganha outra dimensão. As cerca de 300 horas dedicadas à cadeira de uma bebê fazem parte de uma estrutura pensada para transformar arquivos digitais em soluções físicas que podem chegar a outras pessoas.
Projeto levou Zac a pensar em novas formas de ajudar
Para Zac, a cadeira foi também uma oportunidade de descobrir uma aplicação diferente para uma habilidade que vinha desenvolvendo.
Depois da entrega, ele afirmou que pretende continuar aprendendo sobre impressão 3D e participar de outros trabalhos capazes de ajudar pessoas.
A cadeira feita para a bebê é, até agora, o projeto que Zac concluiu nesse formato. Ainda não há outro equipamento confirmado.
Mesmo assim, o adolescente já definiu o caminho que pretende seguir: continuar desenvolvendo suas habilidades e usar a impressão 3D em novos projetos sempre que surgir uma oportunidade de ajudar alguém.