A M. Dias Branco está construindo, etapa por etapa, o caminho para tornar sua operação cada vez mais autônoma. A estratégia passa por dados integrados, fábricas conectadas, agentes de inteligência artificial e treinamento de funcionários, mas mantém pessoas responsáveis pelas decisões.
A trajetória da IA na M Dias Branco foi detalhada por Luciane Sallas, diretora-executiva financeira da companhia, durante o SAP NOW AI Tour Brazil 2026, realizado na última semana. A executiva explicou que a inteligência artificial é uma etapa de uma transformação iniciada anos antes.
O primeiro desafio foi organizar a própria base tecnológica. Em 2022, a fabricante decidiu substituir uma estrutura formada por 120 sistemas legados por um ambiente mais integrado. A implantação do SAP S/4HANA começou naquele ano e chegou ao go-live em janeiro de 2024. Mais de 785 colaboradores participaram diretamente do projeto.
A mudança permitiu acelerar processos que antes demoravam muito mais. Hoje, segundo Sallas, a empresa consegue conhecer no quinto dia útil a margem de contribuição de todos os seus SKUs. Antes da transformação, essa informação podia levar cerca de dois meses para ficar disponível.
IA na M Dias Branco já chegou às vendas e às fábricas
Com uma base de dados mais organizada, a companhia começou a levar inteligência artificial para atividades do dia a dia.
Um dos exemplos é a Manu, assistente de IA generativa desenvolvida para o time comercial. A ferramenta processa informações financeiras e produz análises que ajudam mais de 300 profissionais de vendas a avaliar regiões, produtos e rentabilidade.
Segundo a empresa, determinadas informações de margem passaram a ser produzidas em menos de 24 horas. A assistente também entrega análises personalizadas e vídeos comentados sobre os resultados.
Essa frente evoluiu. Durante o evento da SAP, Sallas afirmou que a companhia já possui três agentes de IA. Um deles é o copiloto usado pela força de vendas, que acumulou cerca de 60 mil interações pelo país.
Nas fábricas, a transformação também envolve o sistema MES, que conecta o planejamento empresarial ao chão de fábrica. A companhia relata uso de dados e sensores em atividades como manutenção preventiva e acompanhamento da produção.
2 mil pessoas foram treinadas para trabalhar com IA
A automação, porém, não significa entregar as decisões integralmente às máquinas.
A M. Dias Branco afirma ter treinado 2 mil pessoas em inteligência artificial, desde profissionais da operação até integrantes do conselho. O programa também aborda temas ligados à ética no uso da tecnologia.
A empresa adota o princípio conhecido como human in the loop: mesmo quando a IA participa de um processo, deve existir uma pessoa responsável pelos dados e pelas decisões tomadas a partir deles.
É justamente essa combinação que sustenta o próximo passo. A M. Dias Branco pretende avançar para uma empresa mais autônoma, na qual sistemas consigam analisar informações e executar mais tarefas automaticamente.
O objetivo, portanto, ainda está em construção. Depois de integrar sistemas, acelerar o acesso aos dados e colocar agentes de IA em áreas como vendas, a companhia agora tenta aumentar a autonomia da operação sem retirar das pessoas a responsabilidade final pelas decisões.