Foo Fighters, Elton John, Maroon 5, Stray Kids e outros gigantes internacionais passaram pela Cidade do Rock. Mas quem brilhou mesmo no Rock in Rio 2026 foram os vários Brasis que desfilaram pelos palcos nos dois últimos finais de semana. Além das atrações nacionais que ganharam protagonismo, a edição também chamou atenção por ações ambientais, tecnologia e um público que ultrapassou as 700 mil pessoas.
Ao todo, a programação reuniu 140 atrações nacionais. Para efeito de comparação, os Estados Unidos apareceram com 20 e o Reino Unido com dez. A diferença ajuda a explicar por que a edição conseguiu mostrar várias faces do Brasil sem depender de um único gênero ou região.
Teve MPB, piseiro, frevo, maracatu, samba-reggae, brega, funk e música paraense dividindo espaço com rock, pop, música eletrônica e, pela primeira vez, um dia dedicado ao K-pop no Palco Mundo.
Até artistas estrangeiros ajudaram a destacar essa força. Nos bastidores, Elton John chamou Gilberto Gil de “lenda” após os dois se apresentarem na mesma noite. O vídeo do encontro passou de 10 milhões de visualizações em menos de 24 horas.
Rock in Rio 2026 levou diferentes regiões do Brasil aos palcos
João Gomes transformou a passagem pelo Sunset em uma celebração da cultura pernambucana. Antes do show com a Orquestra Brasileira, um cortejo atravessou o festival com frevo, maracatu e bonecos gigantes de Olinda. No repertório, o cantor aproximou piseiro e forró de referências como Dominguinhos, Flávio José e Geraldo Azevedo.
No mesmo palco, os Gilsons receberam Daniela Mercury e o Olodum. O encontro juntou gerações da música baiana e colocou o samba-reggae entre as sonoridades brasileiras que ganharam espaço no segundo fim de semana.
No último dia, foi a vez de Joelma dividir o Sunset com Viviane Batidão, levando duas representantes da música paraense à programação. Pouco antes, Ivete Sangalo abriu o Palco Mundo misturando repertório baiano a ritmos latino-americanos em sua 20ª participação em edições do festival.
Gilberto Gil transforma possível despedida em um dos momentos mais simbólicos
Entre os maiores destaques desta edição está Gilberto Gil, que protagonizou um dos momentos mais emocionantes. Aos 84 anos, o cantor subiu ao Palco Mundo na segunda-feira (07/09) para uma apresentação tratada como uma possível despedida dos grandes festivais. Durante o show, ele reuniu músicas de diferentes fases da carreira e ainda prestou homenagens a nomes como Rita Lee e Barão Vermelho.
A apresentação ganhou ainda mais peso algumas horas depois. Gil permaneceu na Cidade do Rock para assistir ao show de Elton John e encontrou o britânico nos bastidores. No camarim, Elton chamou o brasileiro de “lenda” e agradeceu pela contribuição de sua música.
O encontro ganhou repercussão para além do festival. O vídeo dos dois ultrapassou 10 milhões de visualizações em menos de 24 horas, transformando a troca de elogios entre dois artistas de diferentes países em uma das cenas mais compartilhadas da edição.
Do palco para ações fora da música
O tamanho da edição também foi usado em ações sociais. Na campanha com a Ação da Cidadania, o Rock in Rio informou ter garantido inicialmente o equivalente a 500 mil pratos de comida, com uma mobilização para aumentar as doações.
O festival ainda realizou o Fans For Change, leilão de experiências e itens relacionados aos artistas, com 100% do lucro destinado à Ação da Cidadania.
Água gratuita e pulseiras ajudaram a cuidar do público
Fora dos palcos, a estrutura também incluiu medidas voltadas ao bem-estar de quem passou horas na Cidade do Rock. O regulamento do Rock in Rio 2026 previa bebedouros com água potável gratuita e permitia a entrada de garrafas plásticas de até 500 ml com água, facilitando a hidratação ao longo do dia.
Para as famílias, uma das novidades foi o Rockids 2026, sistema gratuito de identificação de menores. Pais e responsáveis podiam cadastrar crianças e adolescentes com menos de 16 anos e retirar uma pulseira vinculada aos contatos de emergência. Em caso de desencontro, a equipe conseguia consultar os dados cadastrados para ajudar na localização dos responsáveis.
A iniciativa ganhou ainda mais importância em uma edição que também atraiu um público mais jovem, principalmente no dia dedicado ao K-pop. A estreia do gênero no Palco Mundo levou muitas crianças e adolescentes acompanhados pelos pais à Cidade do Rock.
Tecnologia mudou até a forma de viver o Rock in Rio 2026
A tecnologia também esteve presente antes mesmo de o público passar pelas catracas. Os ingressos foram totalmente digitais e ficaram disponíveis pelo aplicativo Quentro. Para alguns setores, como o Comfort Zone, o processo também incluiu cadastro de biometria facial.
Dentro da Cidade do Rock, o aplicativo oficial permitia montar uma agenda personalizada, consultar serviços e comprar alimentos e bebidas com antecedência. O fã escolhia os produtos pelo celular, agendava a retirada e apresentava um QR Code no ponto escolhido. Os pagamentos no evento também funcionaram de forma digital, com cartões, carteiras digitais e sistema cashless para quem levasse dinheiro ou quisesse usar Pix.
A tecnologia também virou atração. O ECCO by LightWire reuniu mais de 20 bailarinos, efeitos sonoros em 3D, um painel de LED de 16 por 8 metros e figurinos com milhares de pontos de luz e fibra óptica. Foram cinco sessões por dia, transformando dança, som e iluminação em uma experiência imersiva dentro da programação do Rock in Rio 2026.
Com música brasileira espalhada pelos palcos, cuidados voltados ao público e novas experiências tecnológicas, o festival encerrou os sete dias mostrando que sua dimensão vai muito além do line-up. A próxima edição brasileira do Rock in Rio já está confirmada para setembro de 2028.