Uma lâmpada feita de garrafa PET e criada por um mecânico brasileiro para conseguir trabalhar durante períodos de falta de energia, acabou inspirando uma iniciativa que atravessou continentes e chegou a comunidades de mais de 15 países.
A ideia é de Alfredo Moser, mecânico de Uberaba, em Minas Gerais. Em 2002, ele colocou uma garrafa PET com água e uma pequena quantidade de alvejante no telhado da oficina. A luz do sol atravessava a água e se espalhava pelo ambiente, permitindo iluminar o local durante o dia sem eletricidade.
A solução ficou conhecida como Lâmpada de Moser. O que começou como uma saída simples para enfrentar os apagões ganhou outra dimensão anos depois, quando a ideia chegou às Filipinas.
Foi lá que o empreendedor social Illac Diaz, ligado à MyShelter Foundation, encontrou na invenção brasileira uma maneira barata de levar iluminação a famílias com pouco acesso à energia. A experiência ajudou a dar origem ao movimento Liter of Light.
Lâmpada de garrafa PET saiu de Uberaba e chegou a outros países
O princípio da invenção é simples. A garrafa atravessa parte do telhado e recebe a luz solar. A água dentro do recipiente refrata essa luz e a distribui pelo cômodo. O alvejante ajuda a impedir o crescimento de algas dentro da garrafa.
A solução original funciona durante o dia e não gera eletricidade. Segundo registros do projeto e do World Habitat Awards, ela consegue produzir iluminação comparável à de uma lâmpada convencional de aproximadamente 60 watts.
O conceito foi adaptado pelo Liter of Light e ganhou novas versões, inclusive sistemas com painéis solares, baterias e LED para permitir iluminação também à noite.
A entidade registra presença em mais de 15 países e afirma que suas soluções já impactaram mais de 1 milhão de pessoas no mundo.
Projeto inspirado na invenção voltou ao Brasil
A trajetória teve ainda uma espécie de volta para casa. Depois de ganhar escala internacional, o modelo chegou novamente ao Brasil por meio do Litro de Luz Brasil, organização criada no país em 2014.
Hoje, o trabalho já vai além da lâmpada original de Moser. A organização instala postes e lampiões que combinam materiais simples, como PET e canos de PVC, com painéis solares, baterias e lâmpadas de LED.
Segundo os dados mais recentes publicados pelo próprio Litro de Luz Brasil, as ações já alcançaram mais de 34 mil pessoas, distribuídas por mais de 200 comunidades e 48 cidades brasileiras. A entidade contabiliza mais de 5 mil soluções instaladas.
Mais de duas décadas depois da experiência de Alfredo Moser em uma oficina de Uberaba, a garrafa no telhado deixou como consequência algo maior do que a iluminação daquele espaço: ajudou a fornecer a base para uma tecnologia social que continuou sendo adaptada e levada a comunidades com acesso precário à luz.