Instituto de Matemática e Hospital das Clínicas entram em projetos da OpenAI que podem ajudar ciência e SUS

Duas instituições brasileiras estão entre 14 selecionadas para projetos da OpenAI que vão estudar aplicações da inteligência artificial na pesquisa e na saúde pública.
Montagem mostra referências ao Instituto de Matemática Pura e Aplicada, ao Hospital das Clínicas da USP e à OpenAI, com elementos visuais ligados à inteligência artificial, pesquisa científica e saúde.
Instituto de Matemática Pura e Aplicada e Hospital das Clínicas da USP estão entre 14 iniciativas escolhidas pela OpenAI para pesquisas com inteligência artificial em ciência e saúde pública. (Foto: imagem gerada por IA)

Duas instituições brasileiras vão participar de projetos da OpenAI que buscam descobrir como a inteligência artificial pode ser usada de forma prática na ciência e na saúde pública. O Instituto de Matemática Pura e Aplicada, no Rio de Janeiro, e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo estão entre 14 iniciativas selecionadas em diferentes países.

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No Instituto de Matemática, a pesquisa vai tentar entender o que cientistas precisam para transformar o acesso à inteligência artificial em avanços reais na produção de conhecimento. O estudo vai considerar desde a capacidade dos computadores e a estrutura disponível até custos, formação profissional e regras para o uso seguro da tecnologia.

No Hospital das Clínicas, o foco estará no Sistema Único de Saúde (SUS). Pesquisadores vão avaliar uma estrutura apoiada por inteligência artificial para organizar informações clínicas e estudar se a tecnologia pode ajudar a lidar com dados de pacientes que hoje ficam espalhados em diferentes registros.

Os trabalhos ainda estão em fase de pesquisa e os primeiros resultados são esperados para 2027. Por isso, ainda não é possível afirmar quais benefícios chegarão efetivamente aos pesquisadores, profissionais da saúde e pacientes.

Projeto da OpenAI quer entender como IA pode ajudar pesquisadores

O trabalho conduzido pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada, conhecido como IMPA, recebeu o nome de “Construindo pesquisa científica resiliente na Era da Inteligência”. A proposta é estudar por que ter acesso a ferramentas de IA, sozinho, não significa necessariamente produzir novas descobertas.

Os pesquisadores vão avaliar quais recursos, conhecimentos e estruturas uma instituição científica precisa para aproveitar essas ferramentas. A intenção é criar um modelo que também possa ser usado para calcular recursos e custos necessários em diferentes ambientes de pesquisa.

O projeto prevê ainda recomendações para o uso seguro da IA em pesquisas matemáticas e a produção de um relatório público. Assim, parte do conhecimento obtido poderá servir de referência para outras instituições interessadas em incorporar a tecnologia à pesquisa científica.

Hospital das Clínicas vai testar IA em informações do SUS

O segundo dos projetos da OpenAI selecionados no Brasil será conduzido pelo Hospital das Clínicas da USP. A pesquisa pretende criar e avaliar uma estrutura de informações clínicas apoiada por inteligência artificial para aplicações relacionadas ao SUS.

Um dos desafios será a fragmentação das informações dos pacientes. O estudo vai verificar possíveis usos da IA para organizar esses registros, apoiar rotinas das equipes clínicas e orientar usuários. Os pesquisadores deverão trabalhar com dados sintéticos ou sem identificação dos pacientes.

A tecnologia também não assumirá a decisão sobre o atendimento. As decisões médicas e a supervisão humana serão mantidas durante o processo. Os 14 projetos internacionais receberão, juntos, US$ 1 milhão em financiamento e poderão acessar até US$ 1 milhão em créditos para utilização das ferramentas da empresa.

Até 2027, os projetos da OpenAI deverão fornecer as primeiras respostas sobre onde a inteligência artificial consegue, de fato, apoiar a ciência e a estrutura da saúde pública — e quais limitações ainda precisam ser enfrentadas antes de qualquer aplicação em maior escala.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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