Cientistas criam exame de sangue mais barato para detectar câncer e indicar onde ele começou

MethylScan, criado na UCLA, usa DNA do sangue para detectar diferentes cânceres e indicar o órgão de origem com menor custo de análise.
Tubo com amostra de sangue em laboratório usado para representar exame experimental de detecção de câncer.
Exame experimental desenvolvido por cientistas da UCLA analisa fragmentos de DNA presentes no sangue para identificar sinais de diferentes tipos de câncer. (Foto: imagem gerada por IA)

Cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos, desenvolveram um exame de sangue para câncer capaz de encontrar sinais de diferentes tumores e ajudar a indicar em qual parte do corpo eles surgiram.

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Chamado MethylScan, o método foi testado com 1.061 participantes desde abril e avaliou casos de câncer de fígado, pulmão, ovário e estômago. Considerando todos os estágios da doença, conseguiu identificar cerca de 63% dos cânceres analisados.

Nos casos em estágio inicial, quando encontrar a doença costuma ser mais difícil, a taxa ficou em aproximadamente 55%. O teste apresentou especificidade de 98%, indicador relacionado à capacidade de evitar resultados positivos em pessoas sem câncer.

Além da detecção, os padrões encontrados no DNA ajudaram os pesquisadores a identificar o chamado tecido de origem. Na prática, isso pode orientar os médicos sobre qual órgão precisa ser investigado depois de um resultado positivo.

Exame de sangue para câncer procura pistas deixadas pelas células

O MethylScan analisa pequenos fragmentos de DNA que circulam naturalmente pelo sangue. Eles aparecem quando células do organismo morrem e liberam parte de seu material genético na corrente sanguínea.

O problema é que entre 80% e 90% desse DNA vem de células normais do próprio sangue. Isso cria uma espécie de excesso de informação que dificulta encontrar os fragmentos relacionados a órgãos e possíveis tumores.

Os cientistas desenvolveram uma técnica para retirar boa parte desse material antes da análise. Dessa forma, conseguem concentrar o exame nos sinais considerados mais relevantes e precisam realizar uma quantidade menor de sequenciamento genético.

Menos sequenciamento pode reduzir custo da análise

Essa redução é justamente o que torna a proposta mais barata. Segundo a UCLA, o método consegue atingir a profundidade necessária de análise usando cerca de 5 gigabases de dados por amostra.

Nas condições de preço consideradas pelos pesquisadores, essa quantidade de sequenciamento poderia custar menos de US$ 20. O valor, porém, não representa o preço final do exame: corresponde apenas à geração dos dados de sequenciamento usados na análise.

O diferencial é importante porque testes que procuram fragmentos muito raros de tumores podem exigir sequenciamento profundo, uma etapa que aumenta os custos. O MethylScan tenta contornar essa dificuldade eliminando previamente grande parte do DNA que não interessa à investigação.

Resultado positivo também pode apontar onde investigar

Identificar o tecido de origem adiciona uma informação prática ao exame. Se o sangue indicar um possível câncer, saber de qual órgão o sinal provavelmente partiu pode direcionar exames de imagem e outros procedimentos diagnósticos.

O método ainda não está pronto para substituir os exames usados atualmente. Os próprios pesquisadores afirmam que estudos prospectivos maiores serão necessários para avaliar como ele funciona no rastreamento de pessoas na prática clínica.

Por enquanto, o exame de sangue para câncer representa uma estratégia experimental para reunir três objetivos em uma única análise: procurar diferentes tumores, indicar onde o sinal começou e diminuir a quantidade de sequenciamento necessária para fazer essa investigação.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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