Do melanoma a outros tumores: vacina personalizada já é testada no Brasil contra câncer de pulmão e bexiga

A vacina contra câncer desenvolvida pela Moderna e MSD avança além do melanoma e já integra estudos clínicos para pulmão e bexiga em centros brasileiros.
Pesquisa em laboratório sobre vacina personalizada contra o câncer baseada em RNA mensageiro.
Tecnologia de vacina personalizada já estudada no melanoma também avança em pesquisas contra outros tipos de tumores, inclusive com participação de centros brasileiros. (Foto: imagem gerada por IA)

A vacina personalizada contra o câncer, divulgada na última quarta-feira (19/08), que apresentou resultados de longo prazo em pacientes com melanoma já está sendo levada a outros tipos de tumor — e parte dessa nova etapa ocorre no Brasil.

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A mesma plataforma personalizada de RNA mensageiro, conhecida como intismeran autogene ou V940, integra atualmente estudos contra câncer de pulmão e de bexiga que têm centros brasileiros recrutando participantes. O tratamento continua experimental e ainda não está disponível como terapia de rotina.

O avanço acontece após resultados obtidos no melanoma. Em acompanhamento de cinco anos de um estudo de fase 2b, a combinação da V940 com pembrolizumabe apresentou redução de 49% no risco de recorrência ou morte em comparação com o uso isolado da imunoterapia, segundo Moderna e MSD.

Agora, os pesquisadores tentam descobrir se uma estratégia semelhante pode trazer benefícios contra outros tumores. A lógica da plataforma permanece a mesma: produzir uma terapia individualizada a partir das características genéticas encontradas no câncer de cada paciente.

Vacina contra câncer chega à fase 3 para tumor de pulmão

Um dos estudos mais avançados fora do melanoma investiga a V940 em pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas que tiveram o tumor completamente retirado por cirurgia.

O ensaio está na fase 3, etapa usada para avaliar eficácia e segurança em um grupo maior de participantes. A pesquisa compara V940 associada ao pembrolizumabe com placebo mais pembrolizumabe e prevê a participação de 868 pessoas.

No Brasil, o registro do ClinicalTrials.gov aponta recrutamento em instituições do Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Barretos e São José do Rio Preto. Entre os centros está o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

O objetivo é verificar se a combinação aumenta o período em que os pacientes permanecem sem sinais da doença após a cirurgia e o tratamento padrão.

Estudo contra câncer de bexiga também recruta brasileiros

A plataforma também chegou a um estudo para câncer de bexiga. Nesse caso, pesquisadores avaliam a V940 em combinação com o BCG, terapia já utilizada em determinados tumores de bexiga.

O registro oficial aponta recrutamento no Instituto do Câncer e Transplante de Curitiba e no Hospital de Clínicas de Passo Fundo. Há também centros em Barretos e São José do Rio Preto.

A expansão não termina nesses dois tumores. Em janeiro, Moderna e MSD informaram que mantinham oito estudos de fases 2 e 3 da terapia individualizada. As pesquisas incluem melanoma e câncer de pulmão, bexiga e rim.

Isso ainda não significa que uma vacina contra o câncer tenha eficácia comprovada para esses outros tumores. Cada estudo precisa demonstrar separadamente segurança e benefício clínico. Por enquanto, o avanço mais concreto é que a tecnologia deixou de ser investigada apenas no melanoma. Ela já alcançou pacientes brasileiros em pesquisas para outros tipos de tumores.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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