Salvador, Recife e Fortaleza ganharão bases do Sistema Único de Saúde (SUS) preparadas para atender mais rápido a população durante emergências ligadas aos efeitos do El Niño. O Ministério da Saúde instalará as estruturas nas três capitais do Nordeste para acelerar a chegada de equipes e equipamentos quando uma cidade ou estado não conseguir responder sozinho à emergência.
Na prática, as bases poderão enviar profissionais de saúde, medicamentos, equipamentos e até estruturas para atendimento temporário às áreas mais afetadas. Isso permitirá reforçar hospitais e equipes locais em situações de calor extremo, seca, incêndios ou outros eventos associados ao El Niño que aumentem a procura por atendimento.
Com as novas bases, equipes e equipamentos ficarão mais perto dos locais que precisarem de reforço. Em vez de depender apenas do envio de recursos de Brasília ou do Sudeste, o Ministério da Saúde poderá mobilizar o apoio a partir do próprio Nordeste. A expectativa é iniciar a resposta em até 12 horas após uma emergência.
Salvador já possui uma das estruturas. Fortaleza e Recife também receberão unidades, com implantação prevista ainda em 2026. As três bases do SUS poderão apoiar não apenas as capitais onde estarão instaladas, mas também outros estados do Nordeste.
Bases do SUS poderão levar equipes e equipamentos até áreas afetadas pelo El Niño
As bases funcionarão como pontos regionais da Força Nacional do Sistema Único de Saúde. O governo aciona o programa quando a capacidade local de resposta não é suficiente e pode enviar profissionais, medicamentos, equipamentos e apoio técnico e logístico.
Entre os recursos que poderão ficar mais próximos estão equipamentos usados para montar hospitais de campanha. O tamanho da emergência determinará a mobilização. A Força Nacional do SUS poderá acionar profissionais cadastrados e priorizar equipes mais próximas da população afetada.
Isso não significa que qualquer dia muito quente provoque automaticamente o acionamento das bases. Estados e municípios precisam identificar a emergência e solicitar apoio conforme as regras do SUS quando a situação superar a capacidade de resposta local.
Nordeste já prepara água e saúde para os efeitos do El Niño
O reforço na saúde não é a única medida adotada diante do El Niño. No Ceará, o governo já prepara uma estratégia para redistribuir água entre regiões caso a redução das chuvas pressione os reservatórios, usando a infraestrutura hídrica para levar abastecimento às áreas mais afetadas.
Fortaleza também foi incluída em uma iniciativa do BNDES voltada à proteção de bacias hidrográficas e do abastecimento de água da Região Metropolitana. A área atende cerca de 4,5 milhões de pessoas e foi selecionada entre os territórios prioritários do projeto.
Calor e seca estão entre os riscos do El Niño no Nordeste
O governo confirmou o El Niño em junho. O boletim mais recente aponta 100% de probabilidade de o fenômeno permanecer pelo menos até o início de 2027. Para agosto, setembro e outubro, a previsão indica temperaturas acima da média no Brasil. Também há expectativa de chuva abaixo da média em grande parte do centro-norte do país.
Para o Nordeste, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) já havia apontado risco de agravamento da seca e de incêndios. Temperaturas mais altas também aumentam a preocupação com períodos de calor intenso e seus efeitos sobre a saúde.
As bases do SUS não impedem o calor nem a seca, mas reduzem a distância entre os recursos federais e os locais que eventualmente precisarem de reforço. Com Salvador já integrada à rede e Fortaleza e Recife em implantação, o próximo passo será concluir as novas unidades e deixá-las prontas para uma eventual mobilização.