Fortaleza é a única cidade do Nordeste em projeto do BNDES para garantir o abastecimento de água

Fortaleza entrou como única representante do Nordeste em chamada de R$ 120 milhões do BNDES. O projeto é voltado à recuperação de bacias hidrográficas e proteção do abastecimento de água.
A chamada inclui R$ 120 milhões, destinados à preservação de bacias hidrográficas. Fortaleza foi a única cidade do Nordeste no projeto do BNDES.
A chamada do BNDES que disponibiliza até R$ 120 milhões para projetos de restauração ambiental e segurança hídrica incluiu a Região Metropolitana de Fortaleza entre os territórios prioritários do país. (Foto: Stockapse/Getty Images)

A Região Metropolitana de Fortaleza, responsável pelo abastecimento de cerca de 4,5 milhões de pessoas, foi incluída como a única representante do Nordeste em um projeto do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltado à recuperação de bacias hidrográficas e proteção dos recursos hídricos. O anúncio ocorreu na sexta-feira (12/06).

A chamada pública disponibiliza até R$ 120 milhões para financiar iniciativas de restauração ambiental em áreas estratégicas para o abastecimento urbano. Cada proposta poderá receber investimentos entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões.

Apoio

A inclusão da capital cearense ocorre em um período de pressão crescente sobre a disponibilidade de água. A Agência Nacional de Águas (ANA) identificou risco de redução de até 40% da oferta hídrica em diferentes regiões brasileiras nas próximas décadas.

Os recursos financiarão intervenções destinadas a aumentar a infiltração da água no solo, recuperar áreas degradadas e fortalecer a proteção de mananciais que abastecem grandes centros urbanos.

Fortaleza entrou em projeto do BNDES após pressão sobre reservatórios

Castanhão e Orós integram a estrutura responsável pelo fornecimento de água à Região Metropolitana de Fortaleza. Os dois reservatórios exercem papel estratégico para o abastecimento da capital e de municípios vizinhos.

Em fevereiro de 2026, a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) retomou a transferência de água desses açudes para o sistema metropolitano. A operação não era necessária desde 2019, período em que os reservatórios locais mantiveram níveis suficientes para atender à demanda.

O Castanhão, que atingiu o mínimo histórico de 2,1% em 2018, encerrou a quadra chuvosa de 2025 com 29% da capacidade. Em junho de 2026, o volume armazenado ultrapassou 32%, índice superior ao registrado anteriormente, mas distante da capacidade total.

Projeto do BNDES financiará nascentes, rios e infraestrutura verde

Os projetos deverão executar ações de restauração ecológica ou produtiva com vegetação nativa em nascentes, margens de rios e outras áreas ligadas à conservação dos recursos hídricos.

As propostas poderão incluir jardins de chuva, parques lineares, biovalas, infraestrutura verde e tecnologias sociais de captação e reaproveitamento da água. As medidas buscam ampliar a retenção hídrica e melhorar a qualidade ambiental das bacias.

Segundo o presidente do banco, Aloizio Mercadante, a recuperação de nascentes, matas ciliares e bacias hidrográficas integra os esforços de adaptação climática voltados à proteção do abastecimento das grandes cidades.

Edital do BNDES receberá propostas durante os próximos 90 dias

Entidades privadas sem fins lucrativos e órgãos públicos federais e estaduais poderão participar da seleção, individualmente ou em parceria.

A comissão avaliará critérios como qualidade técnica, recuperação da qualidade da água, benefícios à biodiversidade, alinhamento com políticas públicas e potencial de redução das emissões de gases de efeito estufa.

As organizações interessadas poderão apresentar propostas entre 11 de junho e 9 de setembro de 2026, até as 17h. Os projetos poderão ser implantados em unidades de conservação, áreas de preservação permanente, assentamentos da reforma agrária, territórios indígenas, comunidades quilombolas e áreas públicas urbanas.

Perguntas frequentes sobre a chamada do BNDES

O Boa Notícia Brasil responde as principais dúvidas sobre o projeto.

Por que Fortaleza foi incluída no projeto do BNDES?

A Região Metropolitana de Fortaleza abastece cerca de 4,5 milhões de pessoas por meio de um sistema que depende de grandes reservatórios, como Castanhão e Orós. O projeto prioriza áreas onde a recuperação ambiental pode contribuir para a proteção dos recursos hídricos.

Qual o valor do projeto do BNDES?

A chamada pública disponibiliza até R$ 120 milhões. O BNDES financiará até R$ 60 milhões, enquanto parceiros públicos ou privados poderão aportar o valor restante.

O que os projetos financiados deverão fazer?

As propostas deverão incluir ações de restauração ecológica ou produtiva com vegetação nativa em nascentes, margens de rios e outras áreas ligadas à conservação da água.

Quais iniciativas poderão receber recursos?

Os projetos poderão prever jardins de chuva, parques lineares, biovalas, infraestrutura verde e tecnologias sociais voltadas à captação e ao reaproveitamento da água.

Quem poderá participar do edital do BNDES?

Poderão participar entidades privadas sem fins lucrativos e órgãos públicos federais e estaduais, individualmente ou em parceria.

Qual o prazo e site para apresentar propostas?

Os interessados poderão enviar propostas entre 11 de junho e 9 de setembro de 2026, até as 17h, no horário de Brasília. O formulário está disponíel no site do BNDES.

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