Floresta na Índia nasceu de um gesto solitário e hoje protege animais ameaçados

Uma floresta na Índia criada ao longo de quatro décadas recuperou um ecossistema, abriga espécies ameaçadas e ajuda a conter a erosão do rio Brahmaputra.
A floresta na Índia começou a ser plantada em 1979 e hoje ocupa uma área maior que o Central Park.
A floresta na Índia ocupa uma área maior que o Central Park e continua crescendo mais de quatro décadas depois. (Foto: divulgação)

Uma enchente no rio Brahmaputra mudou a vida de um adolescente no estado de Assam, na Índia. Ao encontrar dezenas de cobras mortas em um banco de areia exposto ao sol, ele decidiu fazer algo incomum: começou a plantar árvores por conta própria. Mais de quatro décadas depois, a floresta na Índia criada por esse trabalho abriga espécies ameaçadas, ajuda a reduzir a erosão e se tornou um dos maiores exemplos de reflorestamento individual do mundo.

Tudo começou em 1979, quando Jadav Payeng participou de um programa de reflorestamento promovido pelo governo local. Quando a iniciativa chegou ao fim, ele continuou sozinho. Dia após dia, plantou mudas, cuidou da vegetação e acompanhou o crescimento da área que, até então, era apenas um banco de areia formado pelas cheias do rio.

O esforço transformou completamente a paisagem. Hoje, a Floresta Molai ocupa cerca de 550 hectares, uma área maior que o Central Park, em Nova York, e se tornou um ecossistema consolidado onde antes havia apenas solo exposto.

A floresta na Índia recuperou a vida selvagem

À medida que as árvores cresceram, a floresta passou a oferecer alimento, abrigo e condições para o retorno da fauna. Atualmente, a área recebe elefantes-asiáticos, tigres-de-bengala, rinocerontes-indianos, cervos, macacos e diversas espécies de aves, formando um ambiente que não existia quando o plantio começou.

O impacto ambiental chamou a atenção das autoridades. Em 2008, o governo de Assam reconheceu oficialmente a Floresta Molai como reserva florestal. Anos depois, Jadav Payeng recebeu o título de “Homem da Floresta da Índia” e foi homenageado com o Padma Shri, uma das maiores condecorações civis do país.

A vegetação também ajuda a conter a erosão

O benefício da floresta vai além da recuperação da biodiversidade. O rio Brahmaputra muda de curso com frequência durante os períodos de cheia, carregando grandes volumes de água e sedimentos que aceleram a erosão das margens.

Com a vegetação consolidada, parte desse impacto passou a ser reduzida. As árvores ajudam a estabilizar o solo e oferecem proteção natural para áreas vulneráveis. Segundo registros oficiais, dezenas de elefantes utilizam a floresta durante determinadas épocas do ano.

O trabalho continua inspirando novas iniciativas de conservação. Uma das propostas defendidas por Payeng é criar um corredor ecológico de aproximadamente 60 quilômetros entre a Floresta Molai e o Parque Nacional de Kaziranga, permitindo o deslocamento mais seguro da fauna. O projeto ainda depende de implantação.

Mais de 40 anos após as primeiras mudas, a floresta na Índia segue crescendo e prestando serviços ambientais para a região. O que começou como a iniciativa de um único adolescente tornou-se uma reserva reconhecida oficialmente e um exemplo de como a recuperação de áreas degradadas pode produzir resultados duradouros para a natureza.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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