Baleias e golfinhos que seriam sacrificados ganham novo lar após 60 anos de cativeiro no Canadá

Operação internacional retirou 30 belugas e quatro golfinhos do Marineland, no Canadá, e encerrou a permanência de baleias em cativeiro no país.
Belugas e golfinhos durante operação de resgate após saída do Marineland, no Canadá.
Belugas e golfinhos resgatados do Marineland, no Canadá, foram transferidos para novos lares nos Estados Unidos e na Espanha após risco de eutanásia. (Foto: reprodução / Marineland)

Uma grande operação de resgate de baleias evitou que dezenas de animais ameaçados de eutanásia permanecessem sem destino após o fechamento do Marineland, no Canadá. Ao todo, 30 belugas e quatro golfinhos deixaram o antigo parque e foram levados para cinco aquários nos Estados Unidos e na Espanha.

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A retirada terminou na segunda-feira (31/08), quando as últimas seis belugas deixaram o local rumo aos Estados Unidos. Com a conclusão da operação, não restaram baleias conhecidas em cativeiro no Canadá, encerrando uma história iniciada em 1964.

Uma das etapas levou duas belugas e quatro golfinhos até o Oceanogràfic València, na Espanha. Cleopatra e Jelly Bean viajaram junto com os golfinhos Echo, Lida, Marina e Tsunami. Eles deixaram o Canadá em 26 de agosto.

Outros animais seguiram para instituições nos Estados Unidos, entre elas o Shedd Aquarium, em Chicago, o Georgia Aquarium, em Atlanta, e unidades do SeaWorld em San Antonio e San Diego. Foram seis transferências para cinco destinos diferentes.

Resgate de baleias começou após ameaça de eutanásia

O futuro dos animais ficou incerto depois que o Marineland fechou e informou que já não tinha recursos suficientes para continuar cuidando deles. Em janeiro de 2026, o parque comunicou ao governo canadense que as belugas e os golfinhos estavam sob ameaça iminente de eutanásia caso não pudessem ser transferidos.

O governo autorizou condicionalmente a saída dos animais. Antes de cada transporte, veterinários credenciados precisavam avaliar se o animal tinha condições de viajar, além da apresentação dos planos de transferência.

Inicialmente, o Marineland havia negociado a transferência das belugas para um parque na China. O Canadá rejeitou o pedido em 2025 porque o destino não assumiu compromissos compatíveis com as regras canadenses contra reprodução e uso dos cetáceos para entretenimento.

Operação distribuiu animais entre EUA e Espanha

Com a alternativa chinesa descartada, aquários dos Estados Unidos e da Espanha passaram a participar da operação. O Georgia Aquarium, por exemplo, recebeu em agosto os machos Balor e Zephyr, de 10 e 7 anos. Os dois permaneceram inicialmente em uma área reservada enquanto as equipes acompanhavam a adaptação.

A escala do trabalho chamou atenção. A Canadian Press descreveu a transferência dos 30 belugas e quatro golfinhos como a maior realocação coletiva de baleias mantidas em cativeiro já realizada.

O desfecho também muda uma história de mais de seis décadas no país. O cativeiro de baleias no Canadá começou em 1964, antes das restrições adotadas em 2019 contra manter, reproduzir e usar cetáceos para entretenimento. Com o fim do resgate de baleias em 31 de agosto, os últimos animais deixaram o país e passaram aos cuidados das instituições que os receberam.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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