Uma ilha escocesa que chegou ao século 21 com apenas um punhado de pessoas ganhou casas recuperadas, novos postos de trabalho e áreas naturais em restauração. A reconstrução de ilha começou depois que o empresário britânico Ian Wace comprou Tanera Mòr, em 2017, e iniciou um projeto que já consumiu cerca de US$ 135 milhões até agora, emm 2026.
O contraste com o passado é grande. No fim do século 19, aproximadamente 120 pessoas viviam em Tanera Mòr, que teve papel importante na indústria do arenque. Com o declínio dessa atividade, a população diminuiu e construções ficaram abandonadas.
Desde a compra, o projeto já restaurou mais de 50 edifícios, construiu estradas, recuperou antigas áreas agrícolas e criou espaços de uso coletivo. Cerca de 150 pessoas já foram empregadas nos trabalhos de recuperação.
A reconstrução também chegou à paisagem. Mais de 100 mil árvores foram plantadas, enquanto antigos terrenos agrícolas, lagoas e outros habitats passam por recuperação para favorecer a biodiversidade.
Reconstrução de ilha devolveu trabalho a uma região pouco povoada
A recuperação de Tanera Mòr não ficou limitada às casas. Pedreiros, carpinteiros e profissionais de diferentes áreas participaram das obras, inclusive com técnicas tradicionais, como construção de muros de pedra e tecelagem.
O impacto alcança as comunidades das Highlands. Atualmente, mais de 60% dos funcionários em tempo integral são moradores da região. Segundo o projeto, algumas oportunidades também permitiram que profissionais que haviam deixado o lugar retornassem para trabalhar.
A ilha passou ainda a receber estudantes de escolas próximas para atividades educativas e experiências profissionais. Há trabalhos de limpeza de praias e preservação de tradições locais, além de planos para oferecer aprendizagem prática a jovens da região.
Mais de 100 mil árvores fazem parte da recuperação ambiental
Na natureza, o trabalho foi além do reflorestamento. O projeto recuperou 28 acres de antigas terras agrícolas e criou cerca de 1,5 milhão de litros em habitats de água doce. Oito lagoas também receberam centenas de plantas aquáticas nativas.
A proposta combina áreas arborizadas, pastagens, flores silvestres e espaços agrícolas para formar diferentes ambientes para animais e plantas. O próprio projeto informa que começou a acompanhar os efeitos dessa recuperação e considera positivos os primeiros sinais, mas ainda não apresenta uma conclusão definitiva sobre o impacto ambiental.
Tanera Mòr também ganhou uma nova função social. Desde 2018, mais de 1.300 profissionais de serviços públicos britânicos já passaram gratuitamente pela ilha em períodos de recuperação, por meio de instituições parceiras. Em 2020, Wace transferiu Tanera Mòr para um fundo de caráter beneficente.
A transformação ainda não terminou: há obras em andamento e partes da ilha continuam em recuperação. O resultado já mensurável, porém, vai muito além de prédios reformados: a reconstrução colocou novamente pessoas trabalhando no território, recuperou áreas naturais e deu novos usos a um lugar que havia perdido grande parte de sua população.