Estudantes transformam cacto em solução para ajudar no tratamento da água

Estudantes de Campos dos Goytacazes testaram um cacto da restinga como coagulante natural e encontraram resultados positivos na redução da turbidez da água.
Estudantes apresentam pesquisa sobre uso de cacto no tratamento da água durante mostra científica.
studantes apresentam projeto que usa cacto da restinga como coagulante natural para auxiliar no tratamento da água. (Foto: Divulgação)

Um cacto que cresce na restinga de Farol de São Tomé, em Campos dos Goytacazes (RJ), virou matéria-prima para uma pesquisa feita por estudantes da rede pública. As alunas estudaram o uso do cacto no tratamento da água e encontraram resultados positivos para reduzir a turbidez em testes experimentais.

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O trabalho foi desenvolvido na Escola Municipal Cláudia Almeida Pinto de Oliveira pelas estudantes Alice Barroso de Barros, Kevillyn Manhães Rangel e Sônia Quintanilha Chipolecho de Oliveira, com orientação das professoras Andressa de Souza Batista e Ana Cláudia Peixoto da Silva. A pesquisa começou a partir de espécies encontradas na própria região.

Nos experimentos, as jovens retiraram a mucilagem, espécie de gel presente no interior do cacto, e testaram sua capacidade de ajudar a agrupar as partículas responsáveis pela aparência turva da água. O processo facilita a formação de flocos que podem se depositar no fundo do recipiente.

A pesquisa ganhou novo destaque neste sábado (26/09) ao ser selecionada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) como um dos projetos da Regional Sudeste I da 13ª Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente. A conquista leva o grupo à etapa nacional, mas o reconhecimento é consequência de uma investigação iniciada anos antes.

Cacto no tratamento da água apresentou resultado melhor em testes

Duas espécies da restinga foram avaliadas: Cereus fernambucensis e Pilosocereus arrabidae. Segundo os resultados apresentados na Feira de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio de Janeiro (FECTI), a segunda teve maior redução da turbidez e formou flocos mais pesados e estáveis.

Nas condições experimentais usadas pelas estudantes, o Pilosocereus arrabidae apresentou desempenho superior tanto ao outro cacto analisado quanto ao sulfato de alumínio, produto tradicionalmente utilizado como coagulante. A pesquisa também identificou pectina na mucilagem da planta, substância relacionada ao processo de formação dos flocos.

Isso não significa, porém, que colocar o cacto na água seja suficiente para torná-la própria para consumo. O estudo avalia o vegetal como alternativa para uma das etapas do tratamento da água, e os próprios autores apontam a necessidade de testes complementares e em maior escala antes de uma aplicação prática.

Pesquisa aproveita espécie da restinga e busca processo mais simples

O método desenvolvido parte de um recurso disponível no próprio território das estudantes. O gel é extraído do cacto e preparado em soluções que depois são adicionadas às amostras de água turva para observar a sedimentação das partículas, o tempo de decantação e alterações no pH.

A proposta busca uma alternativa de baixo custo e menor impacto ambiental aos coagulantes químicos convencionais. Em apresentações anteriores, a equipe também destacou a intenção de chegar a um processo simples e que possa ser reproduzido com recursos locais, especialmente em comunidades rurais.

Agora, o projeto segue para a etapa nacional da Olimpíada da Fiocruz, prevista para o fim de novembro, no Rio de Janeiro. Até lá, o resultado mais concreto permanece dentro do laboratório: um cacto da restinga mostrou potencial para auxiliar no tratamento da água, enquanto novas análises ainda serão necessárias para saber como a técnica pode funcionar fora das condições experimentais.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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