O governo federal anunciou nesta sexta-feira (25/09) o Desenrola 3.0, uma nova etapa do programa voltada a brasileiros que acumulam dívidas antigas. Desta vez, a proposta muda o caminho da negociação: a União pretende comprar carteiras de débitos das instituições financeiras com forte desconto para depois reestruturar essas pendências.
A estimativa apresentada pelo governo é alcançar R$ 150 bilhões em dívidas, metade de um estoque calculado em R$ 300 bilhões. Para isso, a União projeta gastar cerca de R$ 15 bilhões na aquisição das carteiras, considerando um deságio de 90%.
Na prática, uma carteira com valor de face de R$ 100 poderia ser adquirida por aproximadamente R$ 10 dentro dessa estimativa. O desconto conseguido pelo governo na operação deverá ser repassado integralmente às famílias, segundo as informações apresentadas no anúncio.
Isso não significa, porém, que cada consumidor receberá automaticamente 90% de desconto em sua dívida. O percentual está relacionado à compra das carteiras pela União, enquanto as condições finais de renegociação para cada devedor dependerão das regras da nova etapa.
Desenrola 3.0 muda forma de negociar dívidas antigas
A principal diferença está justamente em quem dá o primeiro passo. Nas etapas anteriores, o programa criou condições para que consumidores renegociassem débitos com as instituições participantes. Agora, a proposta é que o poder público adquira diretamente carteiras de dívidas antigas que estão nas mãos dos credores.
O foco anunciado está nas pendências com atraso entre dois e quatro anos e meio. Entram nesse grupo dívidas de cartão de crédito, tanto no rotativo quanto no parcelado, e de crédito pessoal sem consignação em folha.
Esses débitos são negociados no mercado por valores muito inferiores ao saldo original quando os credores consideram pequena a possibilidade de recuperação. Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, instituições chegam a vender essas carteiras com descontos de até 95%.
Compra das dívidas deve começar com leilão
O próximo passo previsto é a realização de um leilão em novembro de 2026. Nele, a União pretende adquirir as carteiras oferecidas pelas instituições financeiras. A operação poderá ocorrer por meio do Tesouro Nacional ou de uma instituição financeira federal.
O modelo cria uma diferença importante em relação à edição anterior do programa. O Novo Desenrola lançado em maio de 2026 atendia pessoas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas de cartão, cheque especial ou crédito pessoal atrasadas entre 91 dias e dois anos. Nessa modalidade, a negociação ocorre diretamente com os bancos.
A nova etapa avança sobre uma faixa diferente de inadimplência: débitos mais antigos, que já ultrapassaram o limite de dois anos adotado na rodada anterior.
Desconto para o consumidor ainda dependerá da renegociação
Apesar do percentual de 90% chamar atenção, quem possui uma dívida elegível ainda precisa aguardar as condições definitivas do Desenrola 3.0. O valor que cada pessoa efetivamente pagará não pode ser calculado apenas aplicando 90% de desconto sobre o saldo atual.
A referência das edições anteriores ajuda a mostrar o potencial de redução sem antecipar o resultado desta rodada. No primeiro Desenrola, iniciado em 2023, a plataforma registrou descontos médios de 90% nos pagamentos à vista e cerca de 85% nos parcelados, segundo balanço do Ministério da Fazenda.
Por enquanto, portanto, o prazo mais importante é novembro. É quando está previsto o leilão que permitirá ao governo comprar as carteiras. Até que as regras de renegociação desta nova etapa sejam detalhadas, o consumidor deve evitar páginas que prometam adesão imediata: o próprio Ministério da Fazenda alerta que não envia links ou mensagens para renegociar dívidas.