Governo anuncia Desenrola 3.0 para comprar dívidas com desconto mínimo de 90%

Governo anuncia nova etapa do Desenrola para comprar carteiras de dívidas antigas com forte desconto e repassar o abatimento obtido às famílias.
Anúncio do Desenrola 3.0 para renegociação de dívidas antigas
Governo anunciou o Desenrola 3.0, que prevê a compra de carteiras de dívidas antigas com deságio mínimo de 90%. (Foto: Luis Lima)

O governo federal anunciou nesta sexta-feira (25/09) o Desenrola 3.0, uma nova etapa do programa voltada a brasileiros que acumulam dívidas antigas. Desta vez, a proposta muda o caminho da negociação: a União pretende comprar carteiras de débitos das instituições financeiras com forte desconto para depois reestruturar essas pendências.

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A estimativa apresentada pelo governo é alcançar R$ 150 bilhões em dívidas, metade de um estoque calculado em R$ 300 bilhões. Para isso, a União projeta gastar cerca de R$ 15 bilhões na aquisição das carteiras, considerando um deságio de 90%.

Na prática, uma carteira com valor de face de R$ 100 poderia ser adquirida por aproximadamente R$ 10 dentro dessa estimativa. O desconto conseguido pelo governo na operação deverá ser repassado integralmente às famílias, segundo as informações apresentadas no anúncio.

Isso não significa, porém, que cada consumidor receberá automaticamente 90% de desconto em sua dívida. O percentual está relacionado à compra das carteiras pela União, enquanto as condições finais de renegociação para cada devedor dependerão das regras da nova etapa.

Desenrola 3.0 muda forma de negociar dívidas antigas

A principal diferença está justamente em quem dá o primeiro passo. Nas etapas anteriores, o programa criou condições para que consumidores renegociassem débitos com as instituições participantes. Agora, a proposta é que o poder público adquira diretamente carteiras de dívidas antigas que estão nas mãos dos credores.

O foco anunciado está nas pendências com atraso entre dois e quatro anos e meio. Entram nesse grupo dívidas de cartão de crédito, tanto no rotativo quanto no parcelado, e de crédito pessoal sem consignação em folha.

Esses débitos são negociados no mercado por valores muito inferiores ao saldo original quando os credores consideram pequena a possibilidade de recuperação. Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, instituições chegam a vender essas carteiras com descontos de até 95%.

Compra das dívidas deve começar com leilão

O próximo passo previsto é a realização de um leilão em novembro de 2026. Nele, a União pretende adquirir as carteiras oferecidas pelas instituições financeiras. A operação poderá ocorrer por meio do Tesouro Nacional ou de uma instituição financeira federal.

O modelo cria uma diferença importante em relação à edição anterior do programa. O Novo Desenrola lançado em maio de 2026 atendia pessoas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas de cartão, cheque especial ou crédito pessoal atrasadas entre 91 dias e dois anos. Nessa modalidade, a negociação ocorre diretamente com os bancos.

A nova etapa avança sobre uma faixa diferente de inadimplência: débitos mais antigos, que já ultrapassaram o limite de dois anos adotado na rodada anterior.

Desconto para o consumidor ainda dependerá da renegociação

Apesar do percentual de 90% chamar atenção, quem possui uma dívida elegível ainda precisa aguardar as condições definitivas do Desenrola 3.0. O valor que cada pessoa efetivamente pagará não pode ser calculado apenas aplicando 90% de desconto sobre o saldo atual.

A referência das edições anteriores ajuda a mostrar o potencial de redução sem antecipar o resultado desta rodada. No primeiro Desenrola, iniciado em 2023, a plataforma registrou descontos médios de 90% nos pagamentos à vista e cerca de 85% nos parcelados, segundo balanço do Ministério da Fazenda.

Por enquanto, portanto, o prazo mais importante é novembro. É quando está previsto o leilão que permitirá ao governo comprar as carteiras. Até que as regras de renegociação desta nova etapa sejam detalhadas, o consumidor deve evitar páginas que prometam adesão imediata: o próprio Ministério da Fazenda alerta que não envia links ou mensagens para renegociar dívidas.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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