Desenrola Adimplentes começa nesta segunda com juros menores para informais

Programa começa nesta segunda (10/08) com juros de até 1,99% ao mês e condições específicas para trabalhadores sem vínculo formal.
Desenrola Adimplentes permite renegociar determinadas dívidas de crédito pessoal com juros de até 1,99% ao mês. (Foto: imagem gerada por IA)

O Desenrola Adimplentes começa a operar nesta segunda-feira (10/08) com uma proposta voltada a trabalhadores sem vínculo formal que mantêm determinadas dívidas em dia ou com atraso limitado. Entre as condições previstas está a possibilidade de substituir operações de crédito pessoal por um novo contrato com juros de até 1,99% ao mês.

Apoio

O programa foi criado para alcançar pessoas que continuam pagando seus empréstimos ou acumulam atraso de no máximo 90 dias, mas enfrentam contratos com condições mais pesadas. Para participar, porém, a dívida precisa cumprir uma série de critérios, entre eles saldo devedor de até R$ 15 mil por instituição financeira.

Além do teto de juros, a renegociação prevê que a nova prestação seja igual ou inferior a 90% do valor da parcela anterior. A operação também depende da análise da instituição financeira e precisa substituir integralmente a dívida que se enquadra nas regras do programa.

Além disso, nem todo tipo de débito poderá ser levado ao Desenrola Adimplentes. Cartão de crédito, cheque especial, crédito rural e operações com garantia real, por exemplo, ficam fora da iniciativa.

Desenrola Adimplentes inclui trabalhador informal

Um dos principais diferenciais do Desenrola Adimplentes está justamente no público atendido. O programa contempla pessoas sem vínculo empregatício formal ativo, o que inclui trabalhadores informais, autônomos e profissionais que obtêm renda sem carteira assinada.

Também não podem estar ocupando cargo, emprego ou função pública nem receber aposentadoria ou pensão. O objetivo é alcançar um grupo que muitas vezes encontra maior dificuldade para obter crédito em condições mais favoráveis.

A renegociação não é automática. Mesmo que o consumidor esteja dentro do perfil previsto pelo programa, a concessão do novo crédito continua sujeita à política e à análise da instituição financeira participante.

Dívida precisa ter pelo menos quatro parcelas pagas

Além do perfil do trabalhador, a própria dívida precisa cumprir requisitos. O Desenrola Adimplentes alcança operações de crédito pessoal sem consignação em folha, incluindo alguns empréstimos resultantes da consolidação de outras dívidas.

Para entrar no programa, o contrato precisa ter pelo menos quatro parcelas pagas até 28 de junho de 2026, dia anterior à publicação da medida provisória que criou a iniciativa. O saldo devedor remanescente não pode passar de R$ 15 mil por instituição financeira.

As parcelas também precisam estar em dia ou apresentar atraso de no máximo 90 dias. Caso o consumidor tenha mais de uma dívida elegível no mesmo banco, a soma dos saldos deve respeitar o limite de R$ 15 mil naquela instituição.

Juros podem cair para até 1,99% ao mês

Nas operações aprovadas, a taxa nominal de juros não poderá ultrapassar 1,99% ao mês. Além disso, o novo contrato não poderá ter uma taxa superior àquela cobrada na dívida original.

O valor da nova parcela deverá corresponder a no máximo 90% da prestação anterior, considerando principal, juros e encargos. A regulamentação estabelece ainda parcela mínima de R$ 50.

O prazo poderá seguir o período restante da dívida original e, em determinadas situações, ganhar meses adicionais. Por isso, uma prestação menor não deve ser analisada isoladamente: o consumidor precisa comparar também prazo, taxa e custo total antes de aceitar a renegociação.

Quem aderir fica seis meses sem acessar bets

O Desenrola Adimplentes também inclui uma contrapartida ligada às apostas de quota fixa. Ao aderir, o beneficiário precisa concordar com o bloqueio do CPF em plataformas de bets por seis meses.

Durante esse período, o número do CPF não poderá ser utilizado para cadastro, acesso, movimentação ou realização de apostas nessas plataformas. A regra deverá constar do contrato da nova operação de crédito.

A medida procura evitar que a reorganização financeira proporcionada pela renegociação seja acompanhada de gastos com apostas. O CPF do participante poderá ser compartilhado com a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda exclusivamente para viabilizar o bloqueio previsto no programa.

Quanto os juros menores podem reduzir uma dívida

Para dimensionar o efeito da taxa de até 1,99% ao mês, o Boa Notícia Brasil simulou três operações de crédito pessoal. Os cálculos são apenas ilustrativos e consideram parcelas fixas, sem tarifas adicionais, seguros ou outros encargos que possam fazer parte de um contrato real.

Em uma dívida de R$ 5 mil, com 12 parcelas restantes e juros hipotéticos de 4,99% ao mês, a prestação ficaria em aproximadamente R$ 563,81. Se o mesmo saldo fosse refinanciado a 1,99% ao mês, mantendo o prazo de 12 meses, a parcela cairia para cerca de R$ 472,51.

Nesse exemplo, o desembolso total cairia de aproximadamente R$ 6.765,71 para R$ 5.670,09, uma diferença de cerca de R$ 1.095,62 ao fim do contrato.

Em outra simulação, uma dívida de R$ 10 mil com 18 meses restantes e taxa de 3,99% ao mês teria prestação aproximada de R$ 789,29. Com juros de 1,99% ao mês, a parcela cairia para cerca de R$ 666,43.

Mantidas essas condições, o valor total pago passaria de aproximadamente R$ 14.207,24 para R$ 11.995,82, diferença de cerca de R$ 2.211,42.

Já em uma dívida de R$ 15 mil, com prazo de 24 meses e juros de 2,99% ao mês, a prestação calculada seria de cerca de R$ 884,76. Com a taxa de 1,99% ao mês, cairia para aproximadamente R$ 792,17.

Nesse terceiro cenário, o custo acumulado das parcelas recuaria de aproximadamente R$ 21.234,18 para R$ 19.012,04, uma diferença de cerca de R$ 2.222,14.

As simulações mostram por que a taxa faz diferença, mas não representam propostas dos bancos. O valor efetivamente oferecido a cada consumidor depende do saldo da dívida, do prazo, da taxa anterior, das condições da instituição financeira e dos demais componentes do custo do crédito.

O que observar antes de renegociar

Para quem pretende aderir, o primeiro passo é confirmar se a dívida está entre as modalidades aceitas e se cumpre os limites de valor, número de parcelas pagas e período máximo de atraso.

Depois, é importante comparar o contrato atual com a proposta apresentada pelo banco. A taxa de juros menor e a redução da parcela podem aliviar o orçamento mensal, mas o consumidor também deve observar eventual alteração no prazo e o custo total até o fim do financiamento.

O Desenrola Adimplentes cria uma alternativa para trabalhadores sem vínculo formal que conseguiram manter o pagamento de suas dívidas ou acumularam apenas um atraso limitado. O benefício, porém, depende tanto do enquadramento da operação quanto da aprovação de crédito pela instituição financeira.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Boa Notícia Brasil no WhatsApp