O petróleo mais caro deu um estímulo adicional aos carros elétricos no Brasil em um ano que já registra forte crescimento desse mercado. No primeiro semestre de 2026, o país emplacou 90.470 veículos 100% elétricos, alta de 196% sobre as 30.534 unidades do mesmo período de 2025, segundo a Fenabrave.
A aceleração também apareceu nos últimos meses. A Agência Internacional de Energia (IEA) aponta que as vendas de elétricos aproximadamente dobraram no Brasil entre março e junho, na comparação com igual período do ano passado. A agência relaciona parte desse avanço à crise energética e ao encarecimento dos combustíveis, embora outros fatores também influenciem a decisão de compra.
A mudança já chegou às concessionárias. No Grupo Carmais, o aumento da procura levou a empresa a investir na capacitação das equipes comerciais e técnicas, além de preparar oficinas, equipamentos e pós-venda para atender os novos veículos.
Segundo Leonardo Dall’Olio, diretor comercial do grupo, o cliente também mudou. Quem entra hoje em uma concessionária interessado em um elétrico tende a pesquisar antes e chega disposto a comparar autonomia, recarga, manutenção, tecnologia e custos com modelos híbridos e a combustão.
Carros elétricos no Brasil exigem vendedores mais preparados
Essa mudança cria uma situação diferente daquela enfrentada por quem vende um automóvel convencional. Explicar potência e equipamentos já não basta. Dúvidas sobre onde carregar, quanto tempo a bateria leva para recuperar energia e quais cuidados o veículo exige passaram a fazer parte do atendimento.
“Esse avanço exige investimento constante. No Grupo Carmais, ampliamos a capacitação das equipes comerciais e técnicas e seguimos investindo na estrutura de pós-venda, oficinas e equipamentos”, afirma Dall’Olio.
A empresa já tinha um sinal concreto do tamanho dessa demanda. Em maio, concessionárias BYD Carmais no Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte comercializaram 389 veículos eletrificados em um único dia, durante uma ação de vendas da rede.
A recompra também começa a aparecer, segundo o executivo. Embora a maior parte das vendas ainda seja de consumidores entrando pela primeira vez nesse mercado, a Carmais afirma que já recebe clientes que tiveram um eletrificado e procuram outro modelo com mais autonomia, tecnologia ou conforto.
Rede de recarga também tenta acompanhar o mercado
A expansão das vendas aumenta outra necessidade: encontrar lugares para carregar o carro. Em março, a BYD informou que mantinha 125 carregadores rápidos de uso público distribuídos pelo país e projetava chegar a 225 até o fim de 2026.
A montadora prepara ainda uma etapa mais ambiciosa. O plano anunciado prevê 1.000 carregadores ultrarrápidos no Brasil até o fim de 2027. A tecnologia Flash permite levar modelos compatíveis de 10% a 70% de bateria em cerca de cinco minutos. Como se trata de uma projeção da empresa, a instalação dessa rede ainda depende da execução do cronograma.
Para quem pensa em trocar de carro, o avanço dos carros elétricos no Brasil traz mudanças que vão além da oferta de modelos. O consumidor precisa entender melhor bateria, recarga e manutenção antes da compra. Já concessionárias como a Carmais precisam preparar vendedores, oficinas e pós-venda para atender a essas novas exigências.