A dor no pescoço associada a longos períodos diante do celular pode ser reduzida com mudanças simples na rotina, como elevar a tela, alternar posições e fazer pausas ao longo do dia. As orientações ajudam a diminuir a sobrecarga na coluna cervical e ganham importância em uma rotina cada vez mais marcada pelo uso prolongado de telas.
O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), vinculado ao Ministério da Saúde, recomenda manter as telas mais próximas da altura dos olhos, mudar de posição e fazer alongamentos periodicamente durante o uso prolongado de dispositivos.
O cuidado ganha importância porque o uso excessivo do celular está associado a uma ocorrência maior de dor cervical. Mas pesquisas recentes indicam que não basta olhar apenas para o ângulo do pescoço: sono, atividade física e o tempo que a pessoa permanece sem se movimentar também precisam entrar nessa conta.
Para o ortopedista Renato Pinto, da Hapvida, o objetivo não deve ser buscar uma postura perfeita durante todo o dia, mas evitar permanecer horas seguidas na mesma posição. “Levantar, movimentar o corpo, fazer pausas e manter uma rotina de atividade física e fortalecimento são atitudes importantes para a saúde da coluna”, orienta.
Pausas e movimento ajudam a proteger o pescoço
O chamado “pescoço de texto” é uma expressão usada para descrever desconfortos relacionados a longos períodos olhando para telas com a cabeça inclinada. Nessa posição, músculos e articulações da região cervical podem ficar submetidos a uma carga maior.
Apesar disso, estudos mais recentes mostram que a postura isoladamente não explica todos os casos de dor. Uma pesquisa longitudinal brasileira que acompanhou adultos por 12 meses não identificou a flexão do pescoço durante o uso do smartphone, sozinha, como fator de risco independente para o aparecimento do problema.
Na prática, isso reforça a importância de olhar para a rotina inteira. Pouca atividade física e sono de baixa qualidade também apareceram associados à dor cervical no estudo, enquanto o especialista destaca ainda os efeitos de permanecer muito tempo sentado e sem mudar de posição.
Por isso, quem trabalha ou estuda diante de telas pode aproveitar pequenas pausas para levantar, caminhar, alongar o corpo ou simplesmente mudar de posição. O INTO recomenda fazer essas interrupções periodicamente e aproximar o aparelho da altura dos olhos sempre que possível.
Dor também pode atingir ombros e costas
Apesar do nome “pescoço de texto”, o desconforto não precisa ficar restrito à cervical. Ombros e a parte superior das costas também podem apresentar tensão, sensação de peso ou dor depois de longos períodos na mesma posição.
Renato explica que o corpo funciona de maneira integrada. Quando a cabeça fica projetada para frente durante muito tempo, o posicionamento dos ombros e das costas também pode mudar, aumentando a tensão muscular em algumas pessoas.
Um incômodo ocasional pode melhorar com descanso, movimento e mudança de hábitos. Mas dor frequente ou que aumenta de intensidade merece atenção, especialmente quando começa a interferir no sono, no trabalho ou nas atividades do dia a dia.
O que fazer quando a dor fica muito forte
Quando a dor no pescoço ou nas costas fica intensa, persiste mesmo após descanso ou começa a limitar movimentos e atividades do dia a dia, a orientação é procurar avaliação médica. O profissional poderá investigar a causa do desconforto e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.
Sinais como formigamento, perda de força ou dor que se espalha para os braços também merecem atenção. Nesses casos, não é indicado insistir em exercícios ou alongamentos por conta própria antes de entender o que está provocando os sintomas.
A boa notícia é que muitos desconfortos relacionados à rotina podem melhorar com acompanhamento adequado e mudanças de hábito. Fazer pausas, movimentar o corpo, fortalecer a musculatura e ajustar a forma de usar as telas ajudam a construir uma rotina mais confortável e saudável para a coluna.
Esta matéria tem caráter exclusivamente informativo e não substitui avaliação médica. Diante de qualquer um dos sintomas citados, especialmente dor intensa ou persistente, formigamento, perda de força ou limitação de movimentos, procure um médico especialista para avaliação adequada.