A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou um novo remédio para câncer de mama que pode ser usado antes que exames mostrem que a doença avançou.
O medicamento se chama Etcamah, nome comercial do camizestranto. Ele é indicado para um grupo específico de pacientes com câncer de mama avançado que apresenta uma alteração chamada mutação ESR1.
Essa mutação pode surgir durante o tratamento e fazer com que algumas terapias deixem de funcionar tão bem. Com o novo medicamento, os médicos podem considerar uma mudança no tratamento assim que essa alteração é identificada, sem precisar esperar que o tumor cresça ou se espalhe a ponto de aparecer nos exames.
A aprovação não vale para todos os casos de câncer de mama. O uso depende do tipo de tumor, da presença da mutação e da avaliação médica.
Remédio para câncer de mama age sobre hormônio ligado ao tumor
Alguns tipos de câncer de mama usam o estrogênio, um hormônio natural do organismo, como estímulo para crescer.
O camizestranto atua justamente nesse caminho. Ele bloqueia o receptor usado pelo estrogênio nas células do tumor e ajuda a reduzir essa sinalização.
Em linguagem simples, o medicamento tenta retirar uma das “fontes de estímulo” que certas células cancerígenas usam para continuar crescendo.
Esse efeito é especialmente importante nos casos em que aparece a mutação ESR1, já que essa alteração pode reduzir a resposta a outros tratamentos hormonais.
Estudo mostrou mais tempo sem avanço da doença
A aprovação foi sustentada por resultados do estudo SERENA-6, realizado com pacientes que já estavam em tratamento para câncer de mama avançado.
Os pesquisadores acompanharam o sangue dos participantes para identificar o surgimento da mutação ESR1 antes que os exames mostrassem piora da doença.
Entre os pacientes que fizeram a troca para o novo tratamento, o tempo mediano sem progressão da doença chegou a 16 meses. No grupo que permaneceu com o tratamento anterior, foram 9,2 meses.
Isso não significa que o medicamento terá o mesmo resultado em todas as pessoas. A resposta depende das características de cada paciente e do estágio da doença.
Brasil tem mais de 78 mil novos casos estimados por ano
O câncer de mama continua sendo um dos tipos de câncer mais frequentes entre as mulheres no Brasil.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos por ano no país entre 2026 e 2028.
Com a autorização da Anvisa, o Etcamah passa a ser uma nova opção para pacientes que se encaixam nos critérios definidos para o tratamento.
Na prática, o principal avanço está no momento da decisão: em alguns casos, os médicos poderão identificar uma alteração ligada à resistência ao tratamento e agir antes que a progressão da doença fique visível nos exames.