USP cria simulador de injeção para reduzir riscos em aplicações de emergências

Simulador de injeção criado pela USP treina profissionais para usar uma região associada a menos dor, sangramento e hematomas durante aplicações intramusculares.
Pessoa usa simulador de realidade virtual para treinar aplicação de injeção intramuscular.
Simulador de injeção criado pela USP usa realidade virtual para treinar aplicações em uma região considerada mais segura do corpo. (Foto: divulgação / USP)

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) criaram um simulador de injeção que ajuda profissionais da saúde a treinar aplicações intramusculares em uma região considerada mais segura do corpo. O objetivo é facilitar o aprendizado de uma técnica que pode reduzir a chance de atingir nervos e grandes vasos sanguíneos principalmente em atendimentos de emergência.

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A tecnologia concentra, por enquanto, o treinamento na região ventroglútea, localizada na lateral do quadril. Esse ponto fica mais distante de estruturas importantes e, por isso, é apontado como uma das opções mais seguras para receber medicamentos aplicados no músculo.

Para o paciente, a diferença pode aparecer também depois da aplicação. Uma revisão científica que reuniu 17 estudos e 1.429 participantes encontrou menos dor, sangramento e hematomas quando os profissionais aplicaram as injeções na região ventroglútea, em comparação com outra área tradicional do glúteo.

Apesar dessas vantagens, esse ponto ainda é pouco usado na prática. Segundo pesquisadores da USP, uma das dificuldades está em localizar corretamente a região no corpo. Os pesquisadores desenvolveram o simulador justamente para ajudar profissionais e estudantes a reconhecer esse local e praticar a técnica antes de atender pacientes.

Aplicação correta ajuda a evitar nervos e grandes vasos

Uma injeção intramuscular precisa atravessar a pele e chegar ao músculo. Por isso, escolher corretamente o ponto de aplicação é uma etapa importante do procedimento.

Na região ventroglútea, a distância de nervos importantes e grandes vasos reduz alguns dos riscos associados à aplicação. Estudos também apontam que o nervo ciático fica mais próximo da região dorsoglútea, tradicionalmente usada em algumas injeções.

A revisão científica não encontrou provas suficientes para afirmar que uma região elimina complicações graves. Ainda assim, os resultados disponíveis mostram vantagem da ventroglútea para efeitos mais comuns, como dor, sangramento e formação de hematomas.

Simulador de injeção permite repetir técnica antes do paciente

Com óculos de realidade virtual, o profissional entra em um ambiente que reproduz um atendimento. Um paciente digital aparece alinhado a um manequim físico, permitindo que o usuário pratique a localização da região e o posicionamento da seringa.

Na versão atual, já é possível tocar no paciente virtual, delimitar a área e posicionar a seringa. A equipe ainda trabalha em melhorias para indicar com mais precisão quando o usuário encontrou o ponto correto.

A vantagem é que o profissional pode repetir essa etapa diversas vezes antes da prática real. O sistema também reduz o uso de seringas, agulhas e luvas durante parte do treinamento.

Tecnologia ainda passa por testes

O simulador de injeção ainda está em avaliação e não é uma ferramenta já incorporada ao atendimento de pacientes. Estudantes participaram dos primeiros testes, e professores, especialistas e profissionais da saúde farão as próximas avaliações.

Os pesquisadores também precisam aperfeiçoar o alinhamento entre o manequim, o paciente virtual e os movimentos das mãos. A tecnologia foi criada para complementar as aulas práticas, e não substituí-las.

Se as próximas avaliações confirmarem a utilidade da ferramenta, ela poderá ajudar futuros profissionais a chegar ao atendimento dominando melhor uma região de aplicação associada a menos dor, sangramento e hematomas e menor exposição a nervos e grandes vasos.

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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