As crianças indígenas do Sul da Bahia protagonizaram uma cena memorável ao entraem de mãos dadas com jogadores do Esporte Clube Bahia nesta segunda-feira (14/09) em Salvador. O momento fez parte de uma nova campanha do time com a Federação Indígena das Nações Pataxó e Tupinambá (FINPAT), que vai homenagear os povos originários.
O encontro também marcou a estreia do terceiro uniforme do Bahia na temporada 2026. Criada em parceria com a entidade indígena, a camisa reúne referências culturais dos povos originários e adota como conceito a frase “O Brasil sempre esteve aqui”.
Mas a participação indígena não ficou restrita às crianças. Lideranças ocuparam o centro do gramado antes do jogo, enquanto os atletas tiveram seus próprios nomes substituídos nas costas do uniforme por nomes de povos da Bahia.
Assim, a aproximação entre Bahia e povos indígenas chegou à Fonte Nova com participação direta das comunidades envolvidas na campanha, desde a construção do projeto até as ações realizadas diante da torcida.
Parceria entre Bahia e povos indígenas chegou à criação do uniforme
A FINPAT participou da concepção do projeto, da elaboração do manifesto e da curadoria cultural. Segundo o clube, o processo buscou garantir a participação dos próprios povos na forma como suas histórias e referências seriam apresentadas.
O uniforme traz uma estampa inspirada nos colares Pataxó, além do azul e do dourado utilizados na composição visual. A braçadeira de capitão, a flâmula do clube e outros elementos da campanha também foram desenvolvidos com curadoria da federação indígena.
A camisa é feita de poliéster reciclado e foi produzida pela Puma. Ela passou a ser usada oficialmente pelo time justamente na partida em que as comunidades participaram das ações dentro de campo.
Reconhecimento dos povos originários também envolve identidade e território
O reconhecimento dos povos indígenas no Brasil não se limita às manifestações culturais. O artigo 231 da Constituição Federal reconhece sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, além dos direitos originários sobre as terras tradicionalmente ocupadas.
Na Bahia, há atualmente procedimentos de identificação e delimitação em andamento envolvendo, entre outros, os povos Pataxó e Pataxó Hã Hã Hãe. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) também registra avanços recentes em processos relacionados a territórios como Tupinambá de Olivença e Comexatibá.
Esse contexto dá dimensão à participação das comunidades em espaços públicos de grande alcance: identidade cultural e território aparecem entre as questões apresentadas pelos próprios povos, inclusive no manifesto levado ao estádio.
Crianças e lideranças indígenas participaram de Bahia x Remo
Antes de a bola rolar na segunda-feira, cerca de 70 indígenas estiveram no gramado, segundo o ge. O clube havia anunciado previamente a participação de aproximadamente 80 lideranças representantes de diferentes povos do estado.
A apresentação contou com música produzida pelos próprios povos e terminou com a leitura do manifesto. Logo depois, as crianças indígenas acompanharam os jogadores durante o protocolo de entrada das equipes.
Na partida, nomes como Pataxó, Tupinambá, Kirirí e Atikum apareceram nas costas dos atletas. Foi dessa forma que a parceria entre Bahia e povos indígenas saiu da criação do uniforme e ganhou espaço também no gramado da Fonte Nova.