Uma nova opção de PrEP contra HIV avançou no caminho para ser oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cabotegravir de longa duração poderá beneficiar principalmente pessoas que têm dificuldade de manter o uso regular da prevenção em comprimidos.
A proposta discutida pelo Ministério da Saúde prevê que pessoas em situação de maior vulnerabilidade ao HIV e que hoje não usam a PrEP oral por barreiras sociais ou dificuldades de acesso aos serviços de saúde estejam entre as primeiras consideradas para receber a versão injetável.
A definição ainda não é definitiva. O cabotegravir recebeu uma recomendação preliminar favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), mas o processo de incorporação não terminou e ainda não existe uma data para a oferta das doses na rede pública.
A mudança pode ser especialmente importante para quem encontra dificuldade em tomar um medicamento com regularidade. Em vez do comprimido diário, o cabotegravir utiliza aplicações periódicas, embora continue exigindo acompanhamento e retornos ao serviço de saúde.
PrEP contra HIV injetável é aplicada a cada dois meses
O cabotegravir já foi aprovado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como forma de prevenção do HIV para adultos e adolescentes dentro dos critérios previstos em bula.
O esquema começa com uma aplicação intramuscular e uma segunda dose um mês depois. A partir daí, as doses de manutenção são aplicadas a cada dois meses. Existe ainda a possibilidade de uma fase oral antes das injeções, mas ela é opcional.
A principal diferença para a rotina do usuário está justamente na frequência. O método reduz a dependência de lembrar de tomar um comprimido diariamente, algo que pode ser difícil para pessoas com rotina instável, que enfrentam estigma ou que não conseguem guardar medicamentos em casa.
Quem poderá receber primeiro pelo SUS
A discussão atual não prevê simplesmente trocar a PrEP oral pela injetável para todos os usuários. Documentos considerados no processo indicam uma possível oferta inicial para pessoas que estão mais expostas ao HIV e não conseguem usar a prevenção oral de forma adequada por razões sociais ou de acesso.
Os critérios finais, entretanto, ainda serão definidos. A população considerada durante a avaliação da Conitec também foi ampliada para pessoas sexualmente ativas a partir de 15 anos em contextos de maior vulnerabilidade ao HIV.
A versão injetável também não elimina a necessidade de acompanhamento. Antes do início da PrEP, é preciso confirmar que a pessoa não vive com HIV e manter testes periódicos durante o uso.
O desafio muda: quem deixar de depender do comprimido diário precisará conseguir voltar ao serviço de saúde para receber a aplicação dentro do período indicado. Por isso, a eventual chegada da PrEP contra HIV ao SUS dependerá não apenas da decisão de incorporação, mas também da definição de quem terá acesso e de como a rede garantirá a continuidade das doses.