Celebrado neste sábado (2609), o Dia Nacional do Surdo chega em 2026 com avanços na educação bilíngue no Brasil. Dados do Censo Escolar 2025 mostram que a modalidade já está presente em 119 escolas de todas as regiões do país, entre unidades bilíngues e instituições que mantêm classes específicas.
Ao todo, são 690 salas e turmas em funcionamento. A maior parte está na rede pública, que reúne 94 escolas e 536 turmas voltadas à modalidade. Nesses espaços, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) ocupa o papel de primeira língua, enquanto o português escrito é ensinado como segunda.
A data, instituída pela Lei nº 11.796/2008, é marcada todos os anos em 26 de setembro e chama atenção para os direitos, a cultura e a inclusão das pessoas surdas. Em 2026, um dos novos capítulos dessa trajetória foi a criação da Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos (PNEBS), instituída pelo Ministério da Educação em julho.
A modalidade, porém, é anterior à nova política. Desde 2021, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional garante a educação bilíngue de surdos, que pode começar na educação infantil e seguir ao longo da vida.
Dia Nacional do Surdo destaca presença da Libras na escola
Na educação bilíngue, Libras não funciona apenas como recurso complementar ou como tradução do que é ensinado em português. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) explica que a língua deve participar diretamente da instrução, interação, comunicação e aprendizagem dos estudantes.
Isso inclui metodologias de ensino, materiais didáticos e instrumentos de avaliação preparados para o público atendido pela modalidade. Estão incluídos estudantes surdos, surdocegos, pessoas com deficiência auditiva sinalizantes e alunos surdos com outras deficiências associadas ou altas habilidades.
Experiências recentes mostram que o uso da Libras também começa a envolver estudantes ouvintes. Em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, por exemplo, um projeto implantado em 2025 ensina a língua a cerca de 500 alunos de uma escola municipal.
Formação de profissionais cresceu 74% em um ano
Outro avanço está na preparação de quem trabalha diretamente com os estudantes. O número de profissionais com formação específica em educação bilíngue de surdos cresceu 74% entre 2024 e 2025, segundo dados divulgados neste ano.
Em fevereiro de 2026, o Ministério da Educação também regulamentou uma rede de formação continuada com cursos voltados a metodologias de ensino, currículo, avaliação e ensino do português escrito.
Já em julho, a PNEBS passou a estabelecer diretrizes nacionais para áreas como formação profissional, currículo, materiais didáticos, produção de conhecimento e acompanhamento da educação bilíngue. A política é, portanto, um reforço recente a uma modalidade que já estava prevista em lei e presente nas redes de ensino.
Neste Dia Nacional do Surdo, os números ajudam a dimensionar esse caminho: a educação bilíngue já alcança escolas em todas as regiões do Brasil, enquanto novas regras e ações de formação buscam fortalecer uma oferta na qual a Libras ocupa efetivamente o centro do processo de aprendizagem.