O SESI Ceará criou em Fortaleza um espaço onde professores poderão desenvolver e adaptar materiais para situações encontradas diretamente em sala de aula. O novo laboratório de inclusão reúne tecnologias como impressão 3D, comunicação alternativa e recursos pedagógicos adaptados.
Instalado na Escola SESI SENAI Parangaba, o Lab Inclusão foi inaugurado nesta quinta-feira (17) e será usado principalmente na formação de professores. A proposta não é funcionar como uma sala de atendimento individual aos estudantes, mas preparar os profissionais que trabalham com eles diariamente.
Na prática, um professor poderá usar o espaço para aprender a desenvolver ou modificar recursos conforme uma necessidade identificada entre os alunos. Impressoras 3D, mesa educacional e totem interativo estão entre os equipamentos disponíveis.
A iniciativa ganha dimensão dentro da própria rede: cerca de 12% dos aproximadamente 8 mil alunos do SESI Ceará são neuroatípicos, segundo a instituição. É essa realidade que levou o projeto a concentrar esforços na preparação de quem conduz as atividades em sala.
Laboratório de inclusão aproxima tecnologia da necessidade de cada turma
Além da impressão 3D, o laboratório trabalha com Tecnologia Assistiva, Comunicação Aumentativa e Alternativa, Cultura Maker, metodologias STEAM e recursos voltados à gamificação e aos estímulos de aprendizagem.
Essas ferramentas podem ser usadas para criar materiais diferentes daqueles oferecidos de forma padronizada. O ponto central é permitir que o professor escolha e adapte o recurso a partir da dificuldade ou da necessidade observada entre os estudantes.
Essa relação entre tecnologia e preparo docente já vinha sendo defendida pelo próprio SESI Ceará. Em uma roda de conversa nacional realizada em 2025, Douglas Carioca, coordenador de Educação Inclusiva da instituição, destacou que ferramentas digitais só produzem efeito quando professores sabem como utilizá-las com objetivo pedagógico.
SESI Ceará começa formação dentro do novo espaço
As capacitações no laboratório poderão reunir grupos de até 20 profissionais. Professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE), especialistas em inclusão e outros docentes da Rede SESI estão entre os públicos previstos.
O projeto é desenvolvido pelo SESI Ceará em parceria com o Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (SESI), por meio do Conexão SESI. O programa nacional financia projetos regionais em áreas como educação, saúde e cultura e inclui ações voltadas à inclusão educacional.
A primeira formação realizada no espaço reuniu 18 profissionais da rede municipal de Cascavel, segundo o SESI Ceará. A instituição também prevê receber profissionais de outras redes parceiras.
O laboratório funciona inicialmente como projeto-piloto. Por isso, a expansão da proposta para outras unidades ainda deve ser tratada como uma possibilidade futura, e não como etapa já confirmada. Por enquanto, o resultado mais concreto está em Parangaba: professores passam a ter um espaço específico para testar, produzir e adaptar recursos antes de levá-los para a sala de aula.