Estudantes da rede pública da Bahia criam biodiesel de licuri e levam projeto escolar ao exterior

Alunos de uma escola pública de Santa Bárbara transformaram um fruto desperdiçado em biocombustível e já apresentaram o trabalho fora do Brasil.
Estudantes responsáveis pelo projeto de biodiesel de licuri posam ao lado de frutos, sementes e materiais usados na pesquisa.
Estudantes da rede pública de Santa Bárbara, na Bahia, desenvolveram biodiesel a partir do óleo de licuri e levaram o projeto para eventos científicos fora do Brasil. (Foto: arquivo pessoal)

Estudantes da rede pública de Santa Bárbara, no interior da Bahia, desenvolveram um biodiesel de licuri e conseguiram levar a pesquisa iniciada na escola para eventos científicos fora do Brasil. O trabalho nasceu da tentativa de aproveitar frutos que caíam e acabavam desperdiçados na região.

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Adrian Mota, Andrei Ribeiro Maia, João Henrique Gomes de Lima e Kauan Mascarenhas são alunos do Colégio Estadual Professor Carlos Valadares. Com orientação dos professores Hevelynn Martins e Lamon Oliveira, eles começaram a investigar como o óleo extraído da amêndoa do licuri poderia virar biocombustível.

A pesquisa já participou de uma mostra virtual no Peru. Em junho de 2026, os estudantes também apresentaram o trabalho presencialmente na Espanha. Agora, uma premiação conquistada pelo grupo prevê uma nova apresentação em Londres, em 2027.

A experiência internacional é uma consequência de um trabalho que começou com recursos bem mais simples. Nos primeiros testes, os jovens chegaram a utilizar garrafas PET antes de terem acesso a equipamentos mais adequados para continuar os experimentos.

Biodiesel de licuri nasceu de um problema observado pelos estudantes

O licuri é uma palmeira encontrada no semiárido, e seu fruto faz parte da realidade de comunidades da região. Foi justamente o desperdício observado pelos estudantes que deu origem à pergunta que guiaria a pesquisa: seria possível aproveitar aquele material para produzir combustível?

A equipe passou a extrair o óleo da amêndoa e testar as condições necessárias para convertê-lo em biodiesel. O produto experimental foi submetido a análises de características como densidade, viscosidade, acidez e inflamabilidade.

O projeto não surgiu agora. Em 2024, o Governo da Bahia já havia divulgado a pesquisa e informado que ela era desenvolvida no Programa Ciência na Escola, da Secretaria da Educação do Estado da Bahia. Naquele momento, os estudantes já trabalhavam na produção do biocombustível a partir do licuri.

Estudantes da rede pública da Bahia aparecem ao lado de frutos de licuri e materiais usados nos experimentos com biodiesel.
Estudantes do Colégio Estadual Professor Carlos Valadares apresentam o projeto que transforma o óleo de licuri em biodiesel experimental. (Foto: arquivo pessoal)

Pesquisa saiu da escola e chegou a outros países

Com o avanço do trabalho, a pesquisa passou a circular por feiras científicas. A Secretaria da Educação voltou a registrar essa trajetória em 2025, quando informou que Adrian participava de eventos para apresentar o projeto desenvolvido na escola.

Essa circulação ganhou dimensão internacional. Além da participação virtual em uma mostra no Peru, a equipe esteve na Espanha em 2026. A próxima oportunidade prevista é Londres, em 2027, resultado de uma premiação conquistada pelo projeto.

Isso não significa, porém, que o combustível esteja pronto para chegar aos postos. O biodiesel de licuri continua em fase experimental e ainda precisaria passar por avaliações como testes em motores, emissões, estabilidade e análises ambientais e econômicas antes de uma eventual aplicação fora do ambiente de pesquisa.

Para os estudantes, uma consequência já pode ser medida sem esperar essa etapa: um problema percebido perto de casa virou objeto de investigação científica e levou um projeto desenvolvido em uma escola pública do interior da Bahia a ser apresentado fora do país.

Cachos de licuri com frutos verdes e amêndoas abertas sobre uma superfície de fibras naturais.
O licuri é um fruto típico do semiárido brasileiro. Da amêndoa, estudantes da Bahia extraíram o óleo usado nos testes para produzir biodiesel experimental. (Foto: imagem gerada por IA)

Foto de Monique de Carvalho

Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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