A população de onças-pintadas no México alcançou o maior número já estimado pelos censos nacionais da espécie. O levantamento mais recente contabilizou 5.326 animais vivendo em liberdade em 2024/2025, consolidando uma trajetória de crescimento observada há mais de uma década.
O avanço chega a cerca de 30% na comparação com 2010, quando o primeiro Censo Nacional do Jaguar estimou aproximadamente 4.100 indivíduos. O segundo levantamento, realizado em 2018, já havia registrado um crescimento, para 4.800 animais.
Assim, os três censos realizados até agora apontam para a mesma direção: 4.100, 4.800 e 5.326 onças-pintadas, respectivamente. A Aliança Nacional para a Conservação do Jaguar (ANCJ), responsável pelos levantamentos, associa esse avanço às ações de conservação desenvolvidas no país.
A recuperação também começa a aparecer fora das regiões onde o felino é encontrado com mais frequência. Pesquisas recentes registraram onças em áreas do centro do México onde a presença da espécie ainda precisava ser confirmada cientificamente.
Onças-pintadas no México foram monitoradas por 920 câmeras
Para chegar à nova estimativa, pesquisadores instalaram 920 câmeras automáticas em áreas usadas pela espécie. Os equipamentos, acionados por sensores de movimento, permaneceram no campo durante 90 dias.
O trabalho cobriu 23 locais de amostragem distribuídos em cinco grandes regiões do país. Ao todo, a área analisada chegou a 414 mil hectares, o equivalente a mais de 4 mil quilômetros quadrados.
A Península de Yucatán concentra a maior população estimada, com 1.699 onças-pintadas. O Pacífico Sul aparece em seguida, com 1.541. Nordeste e centro do México somam 813 animais; Pacífico Norte, 733; e a costa do Pacífico Central, 540.
Recuperação também aparece em novas áreas
Outro sinal positivo vem da região central mexicana. Um estudo publicado em março de 2026 confirmou os primeiros registros científicos de onças-pintadas no estado de Guanajuato, dentro da Reserva da Biosfera Sierra Gorda.
Os pesquisadores usaram 75 câmeras e documentaram 11 registros independentes de dois animais, uma fêmea e um macho, entre agosto de 2024 e maio de 2025. Para os autores, o achado ajuda a confirmar a importância dos corredores usados pela espécie entre diferentes áreas do país.
A própria ANCJ relata que, nas últimas duas décadas, o jaguar voltou a ocupar regiões onde havia desaparecido, incluindo áreas de Aguascalientes, Querétaro e Guanajuato. A organização considera os três censos uma evidência de que ações coordenadas de conservação estão produzindo resultados.
Apesar da recuperação, o jaguar ainda exige proteção no México. O próximo desafio é manter habitats e corredores conectados para que o crescimento registrado desde 2010 continue nos próximos censos — e permita que as onças-pintadas no México ocupem novamente mais áreas de sua distribuição histórica.