O pesquisador Leonardo Fernandes Fraceto entrou para a história ao se tornar o primeiro brasileiro reconhecido como Fellow da American Chemical Society (ACS), considerada o “Oscar” da Ciência. O prêmio colocou o professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) entre 59 nomes escolhidos em 2026 em todo o mundo.
Por trás do reconhecimento está uma carreira dedicada principalmente à nanotecnologia aplicada à agricultura. Para quem busca entender por que um brasileiro ganhou essa projeção internacional, parte da resposta está em pesquisas que tentam fazer defensivos e outros insumos funcionarem de maneira mais eficiente, com menor desperdício e impacto ambiental.
Em termos simples, os pesquisadores desenvolvem estruturas extremamente pequenas capazes de carregar e liberar determinadas substâncias de maneira controlada. Isso pode evitar que parte do produto se degrade ou se perca antes de cumprir sua função no campo.
Estudos dos quais Fraceto participou apontam justamente a nanotecnologia como uma alternativa para melhorar formulações de pesticidas de origem natural. A abordagem busca enfrentar problemas como degradação, instabilidade e volatilização, fatores que diminuem a eficiência desses produtos.
Brasileiro no “Oscar” da Ciência pesquisa uso mais eficiente de insumos
O trabalho não significa simplesmente tornar partículas menores. A ideia é criar sistemas capazes de proteger um ingrediente e controlar como ele chega ao local em que precisa agir.
Na agricultura, essa estratégia é investigada como uma forma de desenvolver práticas mais sustentáveis no controle de pragas e doenças. Um projeto liderado por Fraceto na Unesp estuda tanto a ação dessas micro e nanopartículas quanto seu transporte e sua toxicidade no ambiente.
Essa avaliação é importante porque uma nova tecnologia agrícola também precisa ser estudada pelo que acontece depois de sua aplicação. Por isso, os trabalhos analisam não apenas eficiência, mas comportamento ambiental e possíveis efeitos dos materiais utilizados.
Em artigo publicado pela própria ACS, Fraceto e outros pesquisadores também analisaram a combinação de herbicidas de origem natural com micro e nanotecnologia como caminho para uma agricultura mais sustentável.
Honraria reúne apenas 59 pesquisadores em 2026
A American Chemical Society criou seu programa de Fellows para reconhecer integrantes que tenham dado contribuições excepcionais à ciência ou à profissão e também prestado serviços relevantes à comunidade da própria ACS.
Em 2026, 59 pesquisadores receberam a distinção. Leonardo Fraceto aparece na lista oficial ligado à São Paulo State University, nome em inglês da Unesp. A relação inclui ainda cientistas de universidades e instituições de diferentes países.
O reconhecimento internacional chega, portanto, associado a uma linha de pesquisa com um desafio bastante concreto: produzir conhecimento para que tecnologias agrícolas consigam combinar eficiência com maior cuidado ambiental.
Para o brasileiro no “Oscar” da Ciência, o próximo passo dessa trajetória continuará dependendo justamente dessa ponte entre laboratório e campo. As aplicações precisam passar por avaliações de eficiência, toxicidade e comportamento ambiental antes que os resultados científicos possam se transformar em soluções de uso mais amplo.